Depois de um interregno para as azeitonas, conclui hoje, 26 de novembro, a já longa campanha da alfarroba. Como sempre executei a minha tradicional dança da adiafa, famosa por estes campos do barrocal sotaventino, que, por piedade, e pudor, diga-se em abono da verdade, não vos vou deixar em testemunho. Para o ano, se a paciência e a idade mo permitirem, haverá mais. Não há fim algum. Aquilo que alguns julgam ser o derradeiro, não é senão o princípio de uma outra coisa qualquer. Haja saúde!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Cão, Calceteiro de Letras 2025

O nosso amigo Rogério Cão, um algarvio de Vila Nova de Famalicão, é o Prémio Calceteiros de Letras 2025. Este Prémio, uma espécie de óscar algarvio, foi-lhe atribuído pela sua carreira de actor, poeta, diseur, divulgador cultural e, digo eu, pela excelência enquanto ser humano, foi, e é, mais do que merecido. Viva o Rogério Cão!
três vezes Marraquexe
Metamorfoses na baía das ilhas de púrpura
eleições nO GLORIOSO
Escritos e Escritores - Aviz 2025
agroliteratura
Os lagares abriram! Campanha da alfarroba, quase no fim, suspensa e há que apanhar rapidamente, dentro dos possíveis, as azeitonas. A alfarroba pode esperar nas árvores e no armazém. As azeitonas têm que ser levadas atempadamente para o lagar, senão... o azeite fica no chão do armazém. O balde pêndulo é uma invenção deste vosso influencer: balde à altura do apanhador, gancho comprido para puxar os ramos mais altos. O trabalhador opera em pé. As costas deste vosso velho, literalmente, servo agradecem. Esta semana vão ser difícil. Vêm aí muitas atividades literárias...
As tradições são para manter!
As tradições são para manter! Manhã a britar azeitonas. À tarde, bem à tarde, continua a longa campanha da alfarroba. Depois vêm as azeitonas. E ainda nem apanhei os figos, tem que ser antes da chuva, do chão para a aguardente. E ainda tenho umas telhas partidas pelos homens da fibra ótica para mudar. E anda por aí uma criatura literária a nascer... A vida no campo é de uma monotonia que até arrepia.
A viagem é uma terra estranha
Balila para sempre

Depois de nos ter acompanhado por essa Europa fora, ter atravessado o deserto no sul de Marrocos e corrido Portugal de lés a lés, o "Balila", o nosso primeiro carro, encaminha-se para um cemitério de automóveis. Já há muito imobilizado (não conseguimos desfazer-nos dele quando, exausto, parou para sempre), depois de ser casota de cão e de constituir uma elegante escultura que marcava a quinta, o seu estado de degradação não permitia mais a sua presença junto de nós. Mesmo assim, foi com os olhos húmidos que nos despedimos dele até sempre. Só agora, que lavro este post, me esqueci de verificar se o Aniceto Soares-Pinto Rua (reminiscências políticas de antanho), o pato de borracha pendurado no retrovisor, e já meio fundido pelo Sol, o acompanhou. Amigos para sempre...
Festival Literário de Ovar 2025
agropoesia
Os rios dos laranjais
De lambreta voo
da negação de um abrigo
Quem expulsa famílias de casas humildes, feitas com as próprias mãos dos moradores, com materiais pobres e achados no lixo dos ricos, e que não tem outro telhado onde se abrigar, só pode ser cruel e mau. Uma sociedade assim mete nojo!
o pranto do crocodilo arrependido
O pranto que por aí vai com o passamento do Jornal de Letras. Meus amigues! Foi só o desligar da máquina: o ruim defunto já estava em estado comatoso há muitos lustros. Acreditem que, talvez assim, possa surgir uma criatura neófita das suas cinzas. Do caldo literário que repousa frio e quedo, neste país acomodado, vai ser difícil nascer algo. Mas acreditemos! Pior, asseguro-vos, não ficamos. E, é sempre bom recordar: é da podridão que emergem as melhores árvores. DEP.
Tecno-feudalismo
Herberto Helder e um poeta dependurado numa árvore
da deformação do antropólogo...
A minha deformação de antropólogo faz-me, muitas vezes, deixar o conforto do sofá para, curioso, assistir a eventos estranhos e singulares. Hoje, para mergulhar no maior espetáculo jamais havido em Tavira, lá fui ao tão publicitado concerto dos Calema. Não conhecia nenhuma canção, mas lá me meti a caminho. Como conheço a cidade há muitas décadas, não me foi difícil arranjar um lugarzinho fácil e relativamente perto do evento. Constatei que, realmente, se tratou do maior concerto já realizado na cidade, e manifestamente muito profissional e eficaz. Ouvi os dois primeiros temas e fui-me dali beber uma cerveja ao centro da cidade, estranhamente calmo. No caminho, a análise antropológica foi-me remoendo as sinapses. Paradoxos da vida: milhares de pessoas, sendo no Algarve, e tendencialmente jovens, mais de metade, seguramente, votantes no chega, celebrando dois rapazes negros, imigrantes, de S. Tomé e Príncipe cantando canções com sonoridades africanas! Como quase sempre, a abordagem do antropólogo traz mais, e mais difusas, dúvidas e questões do que interpretações aceitáveis. Já a cerveja só apresenta uma simples questão: sagres ou super bock?
o nariz de cleópatra
Se o nariz de Cleópatra tivesse sido diferente nunca tínhamos tido o néscio oxigenado na Casa Branca.
Últimos- um romance sem fim, mas à beira do fim
Nota de pesar da Casa Álvaro de Campos na morte da sua sócia honorária Teresa Rita Lopes

A guerra das duas semanas
Teresa Rita Lopes
O fotógrafo de Cesariny
Eu gosto de imigrantes
Nem de coisa nenhuma
Um furo no coração
Fernando Venâncio
Condomínio Vital
A língua do Rei
Isto de falar a língua do país que nos acolhe tem o que se lhe diga: Ricardo Coração de Leão, um dos reis de Inglaterra mais famosos de todos os tempos, não sabia falar inglês.
vai para a tua terra
Os emigrantes portugueses quando, na Suíça, na França, na Alemanha, no Reino Unido, no Luxemburgo, no Canadá ou nos Estados Unidos, os mandam para a sua terra, acham os seus anfitriões simpáticos e generosos. Ir para a sua terra é o desejo final de qualquer emigrante.
Um mar de vidro
O estertor do Novo Regime
A Revolução Francesa (1789), a mais efetiva, marcante e duradora das revoluções, parece estar nos estertores definitivos. RIP.
Escrever é um renovar dos meus dias
eleições legislativas 2025
atrasado mental por convicção
Quem passa o tempo todo a atacar os emigrantes, e os mais frágeis da sociedade, só pode ser um miserável atrasado mental. E, nisso, voluntário!
Das verdades que nunca acontecem
Casas dos avós
Visitei hoje as Casas onde os meus avós paternos, Pedro e Amélia, viveram com os três filhos crianças, Jerónimo, Joaquim e Fernando, antes de se terem mudado para a Cativa. O que eu vejo agora mesmo, tirando as casas que estão há muito em ruínas, é o mesmo que a criança que foi o meu pai Fernando via enquanto brincava neste lugar mágico do fim do mundo, nas fraldas da Serra do Caldeirão. E os meus olhos são os seus olhos! Até ao fim.
o que queima não presta
Eu escolhi um ladrão de malas para deputado, um pedófilo para vereador, na capital, corruptos por todo o lado e um condutor alcoólico, já nem sei onde, mas não tenho culpa nenhuma: mandei-os logo passear. Não sou como os outros. Pudera, queimavam mais que ferro em brasa.
Da loucura à lucidez
uma minuta literária
Arte Vaca

O fogo que te assombra os desejos
25 de Abril, 50 anos
o cu de Trump
O Papa argentino
tèrcio Nanook
https://youtu.be/0QdWy-HZi-U?si=cHwmpKsXtGCmGuyZ
(...) quando a normalidade não parece ser o que realmente é: um momento vazio mas indispensável (...)
A Europa fora da Europa
O Trump não sabe, e muita gente também não, que os EUA e o Canadá são dois países europeus, na América. Como, nos antípodas, o são a Austrália e a Nova Zelândia. É um pouco como o clima mediterrânico: também o encontramos na Califórnia, no sudoeste da Austrália e no sul da África do Sul.
Tudo também pode ser nada
(sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...
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Fui a Marraquexe três vezes. A primeira, em 1983, à boleia e de comboio. Desci na cidade com um dos meus maiores amigos, o Pedro Arroio, que...
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O nosso amigo Rogério Cão, um algarvio de Vila Nova de Famalicão, é o Prémio Calceteiros de Letras 2025. Este Prémio, uma espécie de óscar ...
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Entre ... e ... também corre um deserto de pedras. Uma borboleta pousou numa nespereira morta. Uma abelha morta no meio do cus-cus. Nunca di...
