terça-feira, 27 de novembro de 2012

uma mulher disponível seguida por transeuntes









As noites da margem esquerda do Gilão/Séqua estão cada vez mais animadas. No Bar Almariado, numa noite tropical, apresentou-se uma mulher disponível...

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

numa tarde de chuva


pintura de Rui Dias Simão


 


Da janela escorria uma camisola ensanguentada.


Pingava na terra encharcando o vazio


Que se assomava por detrás das casas.


Três facadas na carne rasgando


Os tecidos nauseabundos, expulsando


O sangue em golfadas efervescentes.


A minha mãe já não mora aqui e o sangue,


Que também é o dela, cai no pântano


Morno cobrindo o chão da cozinha.


A camisola envenenando as ervas daninhas,


Alimentando os vermes que me consomem o corpo.


 Agarrem-no!, ecoou como lâmina zurzindo


O ar brutal do bairro sórdido, não há crime


Sem castigo!, berrou o homem sem significado


Que assistia a tudo.


Nunca um crime foi sentido por mim


Nas fronteiras da solidão, respondi eu


Cobrindo a retaguarda.


Ratazanas sem compromissos escapuliram-se


Nas sarjetas iluminadas pelo odor dos enjeitados.


O vizinho do 2º dtº deu a primeira facada.


As outras que me rasgaram a pele e trincharam os ossos


Foram, no calor da refrega, atribuídas a incertos.


Conhecidos mas não identificados nas complexas


Poeiras que ensandeciam a tarde. A camisola


Aspergindo o espetro rastejante da pobreza.


Nunca ninguém fugiu de si próprio deixando


Um rasto de informação ofecendo


Aos caçadores de infinitos


O odor que os levará ao covil da presa,


Ao definhar do ritual do fogo e do sangue


Que rege o ordálio crepitando nas mentes


Experimentadas no silêncio, na viagem


Interrompida por deus.


A multidão rumina dissolvendo as persianas


Ululantes das personalidades elementares.


O crime percorre as ruas por entre


Conceitos duvidosos e ideias lancinantes


Abandonadas pelos que temem os estrangeiros


Nascidos entre os nossos. A matéria


Que compõe os heróis regurgita no princípio


Da noite, cadinho onde se fundem as ilusões,


E o crime assume a vertigem da virtude


Incontestável e una.


O sangue que brotoeja das feridas escancaradas


Sacraliza as ruas por onde prossigo procurando


A caverna dos prodígios labirínticos, a degeneração


Do corpo que reproduz o regresso ao fim.


 


Duma janela apontando a noite pinga


Uma camisola ensanguentada.


 


Vrsa 13/11/12


 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

palavras inúteis


 


 


Agora que tens as tuas palavras


inúteis gravadas no espaço que rodeia


 o teu quintal, ondulando nas cabeças dos vizinhos,


 nas consciências impolutas dos animais


 sentados nas esteiras da necessidade,


 agora, dizia, os inimagináveis dias de antanho
emergirão como batólitos


 de raiva rompendo os estratos superiores


 estranhamente superficiais. Das entranhas


 dessas palavras (ainda inúteis) soltar-se-ão estruturas


vazias como opérculos de peixes vadios


 que vagueiam nas noites de marés


 sussurradas. Nessas estruturas frágeis e silenciosas


 penduras o casaco de sombra que cobre


 o frio da noite, caminhas ao encontro


 da nudez dos círculos de luz que rompem


 os cálidos penedos da sensatez.



VRSA - out. 2012

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...