Morreu um homem extraordinário! Fernando Venâncio, antes de ser o linguista de excelência, o professor e conferencista apaixonado, era um homem bom, solidário, amigo, simpático, prestável, humilde, simples. Um homem que amava o convívio com os seus semelhantes, semelhantes enquanto seres humanos, e que adorava estar entre os seu amigos à mesa ( ainda me lembro bem da sua recusa em comer uma belíssima salada de polvo, à do António do Cinema, em Tavira, e o cuidado que pôs em nos explicar o porquê de tal recusa, nem mais nem menos que a inteligência do animal , sem ferir as suscetibilidades dos que o apreciavam no prato). O prazer imenso que tirava das suas descobertas no domínio da língua portuguesa só era superado pelo entusiasmo e gozo que lhe dava a divulgação e discussão dessas descobertas, por vezes polémicas, novas formas de olhar e sentir, e mesmo usar, a língua portuguesa e a sua história. Este prazer levava-o, mesmo, a responder a toda a gente que na sua página do Facebook lhe punha questões e discordava das suas teorias. Depois de uma vida nos Países Baixos, voltou a sua natal Mértola, uma terra que não é fácil para acabar a velhice. Não porque trate mal os velhos, antes pelo contrário, mas devido ao relevo acidentado e ao terrível estio do Alentejo. Esta proximidade com o Algarve, trouxe-o, algumas vezes, a falar dos seus livros e da língua portuguesa por esta terras do fim do mundo. Conheci-o, há uns anos, no importante encontro de escritores Poesia a Sul, em Olhão, e tivemos a sorte de o ter na Casa Álvaro de Campos, em Tavira, como um amigo da casa e um conferencista singular.
Fui um homem mais completo e mais feliz em poder contar com a sua amizade nestes últimos anos da sua vida! Nunca o esquecerei!
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