domingo, 22 de junho de 2008

A Confusão dos Dias



 

 

Para onde quer que olhe, a distância perde-se numa claridade infinita. Eu sou o centro do meu mundo como tu és,  como vós sois, o centro do teu (vossos). Na  intersecção das nossas vidas, na confusão das mentes enraizadas, nas realidades etéreas e voluptuosas, encontramos os dias impossíveis de acontecer. Os dias efémeros da levitação final.

 

Seremos sempre como a poeira que resta no fim das tempestades. 

sábado, 21 de junho de 2008

Porque hoje é o solstício...


 


Por volta de 240 a C, Eratóstenes, director da Biblioteca de Alexandria, encontrou nuns velhos rolos de papiro a informação de que na cidade de Siena (hoje Assuão), no solstício de Verão ( o dia mais longo do ano), ao meio-dia,  o Sol reflectia-se nas águas de um fundo poço. Querendo isto dizer que estava a prumo, nada tinha sombra nesse momento. Sabendo que as colunas de Alexandria, à mesma hora, do mesmo dia, projectavam sombra, concluiu que a Terra não poderia ser redonda.


No ano seguinte, com o uso de uma alta estaca espetada na vertical, mediu o ângulo das sombras em Alexandria e obteve o valor de 7 graus e 12 minutos, ou seja 1/50 dos 360 de uma circunferência. (em Siena o Sol estava a 90 graus sobre a superfície da Terra)


Concluiu, portanto, que o meridiano deveria ter 50 vezes a distância entre AleXandria e Siena.


 


Para medir a distância entre as duas cidades , Eratóstenes organizou uma equipa de instrutores com camelos e escravos que a pé seguiram em linha recta, percorrendo desertos, montes e vales,  tendo que, inclusive, atravessar o rio Nilo. A distância encontrada  foi de 5.000 estádios. Assim, multiplicando 5.000 estádios por 50, concluiu que o perímetro da circunferência máxima da Terra deveria ser de 250.000 estádios. Não se sabe ao certo a equivalência entre  estádio (usado por Eratóstenes) e metros, pois obras distintas relatam diferentes conversões,  mas estudos científicos modernos demonstraram que os 250.000 estádios equivaleriam a 40. 000 quilómetros.


Hoje com computadores, satélites, GPS e outros preciosos instrumentos verificamos que o resultado é muito aproximado. O perímetro da terra no Equador (o maior) é de 40 070 km.





Como vemos há dois mil anos o homem não  tinha nada a dever aos que hoje se passeiam pela superfície do planeta azul, bem pelo contrário...


 





quinta-feira, 19 de junho de 2008

Foi só um jogo de futebol


 


É arrasador... mas apenas mais um jogo de futebol.


 


Agora, que vença a laranja mecânica. Não é por estarem  a jogar um futebol mágico, porque elevam a arte aos píncaros da genialidade, é porque a Holanda sempre foi  a minha segunda selecção.


 


PS: Não há nada totalmente mau. Escapei-me a uma caravana barulhenta até às tantas. Os filhotes, que já tinham bandeiras e cascóis preparados, é que ficaram de beicinho... 


PS1: Esta enorme desilusão tornará mais fortes as emoções que O Glorioso trará aos seus crentes na próxima temporada. A primeira missa será no Torneio do Guadiana, em Vila Real de Santo António, já em Julho. Lá estarei mais os dois crentes cá de casa.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Escarafunchando num passado inexistente

 


 


O calor cresce lá fora. Enquanto a calmaria se precipita do céu violeta, dou por mim a revolver os resistentes socalcos da memória. Alguns substratos profundos são compostos por sedimentos de memórias partilhadas. Escarafuncho e os sedimentos esboroam-se e invadem outras camadas confusas do antro cavernoso do pretérito, aumentando a confusão e ocultando a massa disforme que tento penetrar.


Por vezes recorro a memórias externas que se cruzaram nos caminhos que percorri e vou tentando compor pequenos e difusos fragmentos que me permitam chegar mais fundo. Colar fragmentos de de um mosaico, ou melhor,  de uma película irrecuperável mas que, à maneira do digital, possa fazer sentido e sarar feridas escancaradas de outrora.


Continua a crescer o calor lá fora. O cão uivou pressentindo inquietudes nas pessoas que se afundam na História incompleta. (há uns dias, por brincadeira só falei inglês com ele: come on on Matrix, your food Matrix, you are the especial one Matrix. Foi-se embora e só voltou dois dias depois. As memórias dos cães são mais selectivas do que as dos homens). Como eu ia dizendo, o Matrix uiva nas sombras. A liberdade só é possível num sistema sem memórias: quando esburacas num passado inexistente. Só perante a vida. Caminhando, sem olhar para trás, nas numinosas paisagens onde as pegadas se apagam antes de os pés assentarem nas areias. Caminhando em intermináveis socalcos metafísicos. 


segunda-feira, 16 de junho de 2008

São cinco horas da manhã na cidade

 




 


 



 São cinco horas da manhã na cidade. O vento parou um pouco. Entre as sombras gigantes das árvores, passeio confusamente anos acumulados de solidão.



  É triste a impossibilidade de regressar. Regressar a um lugar onde as coisas se ligavam logicamente, formando um corpo coeso e inteligível.



  As ruas arrefecem do longo dia de Verão, é , no entanto, discutível se eu o sinto, porque não há pássaros acordados na noite.



 A cidade define-se por ter bares abertos às cinco da manhã. Não os encontro e talvez não esteja nela. Ou então, maldosamente, fecharam para me impossibilitar o contacto com os outros.



 Sinto-me observado quando dobro as esquinas sujas da minha mente. É uma sensação agradável, mas  portadora de angústia. Angústia porque sei que nada me pode observar como sou e, muito menos, às cinco da manhã de uma madrugada sem Lua. Há um universo de coisas desconexas entre mim e o que pretendo dizer. Um não acabar de estímulos irreversíveis que nunca vou voltar a lembrar: aliás a memória é um instrumento ao serviço do passado e eu sou um deserto sem vegetação primitiva.



  No cais alguns barcos descansam, sentem arrepios  só de pensar nos anos que o mar lhes vai dar de novo.



 Algumas carcaças, como eu,  sonham com a morte, enquanto se tentam roçar nos ventos húmidos da maresia. Descrever a beleza  é uma tarefa vã. Só os loucos a tentam. É voltar atrás para desnudar o futuro. A transgressão dos tabus é um enorme fascínio, a que sempre se resiste enquanto somos homens livres. Os tabus algemam a vontade à sua violação.



  Começa a levantar-se a luz da madrugada - as cinco horas já vão - e as coisas começam a tornar-se feias. Até talvez os pássaros não gostem da madrugada, e o seu cantar seja o repudio pelo renascer de uma morte , que é o sono.



  A angústia apodera-se das minhas forças já frágeis de ousar desafiar a natureza. Os barcos desapareceram para o mar imenso esperando naufragar, a qualquer vaga, nas escuras profundezas do oceano.



   Olho em volta e as sombras transformam-se em luzes coloridas, horríveis a meus olhos. Até as mulheres, anjos da noite, se tornam reprováveis formas fluorescentes.



  Começa a nascer o dia - de parto normal - e tenho a certeza que não vou encontrar ninguém: a esta hora já os autocarros deviam vaguear pela cidade arrancando as pessoas ao sono. Belisco-me. Não sinto dor e por isso estou seguro que estou acordado. A dor é própria  dos eternos sonhadores, convertidos em pus, nas suas camas de luxo.



 Viro a mais uma esquina virtual, de onde posso espreitar o despontar dos comedores de ilusões. Ali, onde o tempo age de improviso e confessa ter um filho que não conhece , onde embarcam os marinheiros aflitos, não vi ninguém. Então, qual ribombar de trovões, vindos de não sei de onde, surgem toneladas de carrascos enlatados, atirados do alto da pirâmide.



  Respondi-lhes com a coragem possível nos dias de hoje:



-         Desculpem mas não podem entrar na minha casa. Na minha casa só entra gente de bem.


Eu sei que às vezes penso que os outros estão a topar as minhas fraquezas, mas isso, sei-o bem, é uma fraqueza da minha parte.



 


 

sábado, 14 de junho de 2008

Tratados e Referendos


 


Já aqui há uns posts atrás me tinha referido à minha desconfiança para com os referendos. Por mim, nicles. São mecanismos de legitimação de populismos variados e caros a berlusconis, le pens e quejandos. Ainda por cima, quando não plebiscitários, servem para todas as manifestações laterais e colaterais de desagravo para com quem governa e para descarregar as fúrias em relação a tudo o que chateia o comum do cidadão. Sei que esta minha posição não é nada politicamente correcta e tenho tido discussões verrinosas com amigos por isso. Sobretudo com os meus companhons de route canhotos.


 


 


Com   o número de países da actual UE, o mosaico cultural e étnico, as diferenças socio- económicas, as sensibilidades políticas e religiosas e as crises que nos afectam nenhum tratado poderá alguma vez ser  legitimado em referendo. Nem o de Roma... a não ser que se referende a baixa do imposto sobre os produtos petrolíferos.


 


Se os políticos que nos governam (Europa) fossem mais inteligentes poderiam fazer um referendo a qualquer tratado em simultâneo (claro que já devem ter pensado nisso) para  todos os países da UE e mesmo assim não vos garanto que seria aprovado.


 


Sobre a muito debatida legitimidade dos parlamentos para aprovar estes tratados que obrigam a todos e que a todos impõem regras e compromissos, quem não crê na democracia representativa que atire a primeira pedra. Quando nos representaram mal, mudamo-los. Simples como o ar que se respira. Vinte e seis parlamentos a aprovar um tratado será uma cabala para enganar o povo? Esta malta vive para lixar o pagode? Isso era o que dizia o Salazar e dizem ditadores por todo o lado. Política? Que Horror!!! Os políticos são como os outros profissionais. Há-os bons e maus.Se se tivesse feito um referendo para introduzir o Euro tenho a certeza que ainda hoje para irmos a Espanha, lá tínhamos de nos munir de pesetas para comprar caramelos e pipas.


 


Sou por uma Europa das nações onde possamos viajar sem constrangimentos e onde o multiculturalismo seja o motor do desenvolvimento. Claro que sou um lunático...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Fernando Pessoa e Tavira


 


Há 120 anos nascia em Lisboa o maior génio que esta terra à beira-mar plantada viu nascer.


 


Um dos maiores que a Humanidade acolheu no seu seio. Um homem infeliz que trouxe a alegria e a sabedoria aos que vão ao encontro das suas palavras. Legou-lhes também a aconchegante solidariedade da tristeza.


 


Com ligações familiares a Tavira e, principalmente, à Conceição, a minha aldeia, fez aqui nascer o seu heterónimo Álvaro de Campos.


 


Ainda hoje, um número significativo de casas do núcleo antigo da Conceição pertencem à sua família, mais precisamente ao seu sobrinho, o engenheiro (como Álvaro de Campos) Jacques Pessoa. Vivendo numa espécie de castelo no centro da aldeia, é a figura chapada do escritor e transporta a presença dos múltiplos "eles" que o poeta carregava. Tenho a honra de ser seu amigo e da sua mulher.


 


Deixo-vos um poema para  Álvaro de Campos escrito por Pedro Jubilot ( um poema tão pessoano que me enganou pensando-o do próprio "engenheiro)  parecendo  ter sido escrito na "Praça da Alagoa", uma das mais belas praças ajardinadas da nossa cidade e onde, parece, o poeta tinha casa. Todo o poema respira e transpira Tavira: a ponte romana, o rio Séqua, o largo da alagoa, Veneza (Tavira é muitas vezes comparada a Veneza), o rio na maré baixa, o "engenheiro-na-cidade"...


 


"a última visita de álvaro de campos a tavira"



a paisagem vista da mesa do café

imagem de infância : largo da alagoa

igreja da nossa senhora da ajuda



o homem que de gabardine cinzenta

atravessa a pé a velha ponte romana

olhando para o rio de uma maré baixa



o homem que de roupa interior branca

atravessa o corredor da residencial sécqua

olhando para o espelho acendendo um cigarro



uma mulher chegando num carro preto

olhando para o edifício fugindo da chuva

toca a campainha e sobe apressada



uma mulher musa que traz cartas e mapas

projectos e quer saber a porta do quarto

do senhor engenheiro bate e ele abre-a



o homem alto e magro cabelo liso aparado

tem febre e escreve : “cada rua é um canal

de uma Veneza de tédios” a frase solitária

premindo as teclas da underwood"


 


 


de Pedro Jubilot

Não Avaliarás


 


Sempre que fui avaliado e pretendi um bom resultado, consegui-o. Metamorfoseei-me no avaliador. Esta é a mais injusta das avaliações. No entanto deixa os dois intervenientes felizes. Sobretudo o avaliador.


 


Nunca o avaliador poderá avaliar-se a si próprio e, portanto, todas as minhas avaliações (enquanto sujeito) são irrelevantes e falsas.


 


Quando quero saber minimamente o que valho, relaxo e torno-me numa entidade mineralizada.


 


As rochas falam por si, por todos nós.


 


Nisto de avaliações sou muito cristão e sigo a sempre  difícil opção: não avaliarás!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Emergindo das Águas

 



 


Nos campos infindáveis de restolho à procura do silêncio... inevitável.


 


Uma nova editora, um novo livro. Uma festa  a Sul...Escrito!


 

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Globalização Amordaçada

 



 


Alguém terá que o dizer. Alguém que seja ouvido. Muita gente já o disse e discutiu no refúgio das opacas paredes dos antros políticos e científicos ou em conversas de café.


Como toda a gente sabe, da mais ingénua criancinha ao mais sábio dos sábios, a maior parte dos recursos disponíveis são escassos e finitos. Energia; por ora; alimentos, água, espaço, atmosfera e outros são esgotáveis ou sujeitos a contaminações irreversíveis e inutilizantes. As vagas de Toffler  só lentificam, atenuam e prolongam este fluir pastoso para o abismo. Para o buraco negro que a tudo suga.


O modelo económico que se impôs a seguir à revolução industrial parecia inesgotável: um pequeno número de países, que se industrializou, enriqueceu fabricando e distribuindo, enquanto o resto do mundo se constituiu como uma enorme fonte de reservas de matérias-primas e recursos energéticos. Alguns, deste vasto campo mineiro, até melhoraram alguma coisa, o resto, um sub-mundo encoberto e apenas conhecido por elites bem informadas ou antropólogos militantes, manteve-se num longo e profundo limbo existencial. O modelo prosperou num paradigma relacional colonial e só sofreu os primeiros revezes com o início da descolonização, em meados do século XX, com os ex-colonizados a indigenizaram parte dos recursos até então sugados pelas metrópoles. Mas os territórios “ultramarinos” cedo mergulharam na turbulência pós colonização, acabando por voltar ao seio de potências que lhes assegurassem a segurança. Esta segurança reavivou a velha troca de  máquinas por matérias-primas: armas por  bananas…


Com o desmoronar  das dependências territoriais do mundo moderno, construído pela primeira globalização, a  das “Descobertas, entramos numa era dual vincada, na qual a “Guerra Fria” estabelece um novo padrão de entendimento. Económico e geoestratégico. Língua e cultura vergam-se perante a política pura e dura, mas, em certa medida, numa lógica neo-colonial. Fala-se até em estratégias dominó…


A terceira vaga que irrompe no mundo ocidental arrasa a “cortina de ferro” e instala um modelo unipolar liderado pelos Estados Unidos. No entanto  a aceleração da globalização operou um difusão fulgurante das novas tecnologias de informação e comunicação e uma abertura de mercados que trouxe para a economia mundial e, agora algo de completamente novo para a geoestratégia político-militar, novos actores que vão ombrear com os antigos impérios planetários. Com um peso demográfico descomunal, tornam-se apetitosos para os tradicionais países exportadores e, ao mesmo tempo, perigosos competidores no fluente mercado global. Mais, tornam-se peças de relevo no tabuleiro de xadrez onde se jogam as relações de poder do século XXI. China e Índia, por um lado, e Brasil e Rússia, por outro, fragilizam a potência dominante e avançam imparáveis pelos territórios antes ocupados pela potências colonizadoras. Os tão famosos BRIC robustecem enquanto americanos definham no Iraque e os europeus, na constante indecisão de consciência do mundo, se entretêm com assuntos intestinos e paralisantes.


Os crescimentos brutais do consumo dos novos actores, despoletado pelo crescimento económico regular acima dos dois dígitos, aspergiu problemas por toda a parte. Aumentos astronómicos dos preços dos recursos económicos e alimentares, deslocalizações em massa e falência dos modelos sociais nos países ocidentais, são, apenas, a ponta do icebergue que se aproxima. O princípio do fim. Um mundo com motor na Ásia das Monções, um descalabro nas economias ocidentais, é incontornável.


Políticos e economistas liberais sempre defenderam que o desenvolvimento económico era extensível aos países subdesenvolvidos. Que  isso favoreceria  a economia global e todos ganhariam. Que tudo deveria ser feito para que esta globalização fosse uma realidade futura. Muitos deles, maliciosamente, defendiam-na mas no fundo sabiam-no impossível. A economia funciona como  líquidos em vasos comunicantes, como manta curta em noite de frio… Basta-nos pensar que se os mil milhões de chineses tivessem o mesmo percentil de automóveis que os americanos, a atmosfera tornar-se-ia irrespirável (que queiramos quer não) e, no entanto, é tão legítimo terem-nos como qualquer outro país.


Para que a economia global proporcionasse um bem-estar a todo o planeta teríamos que assistir a um crescimento económico brutal das regiões menos desenvolvidas (já está a acontecer em algumas regiões) e a um abrandar constante dos PIB dos países desenvolvidos (o que também já se está a verificar). Nós, “o ocidente”, passaríamos de ricos a remediados para os pobres passarem de pobres a remediados. Enfim, todos remediados. Mas ninguém está interessado em passar de rico a remediado sobretudo se, para além disso, possuir o poderio militar.


Um dia teremos um presidente dos Estados Unidos a dizê-lo às claras. Alguém tem de o fazer. Falar à nação mais próspera e imperial do mundo pré-global:


“Americanos, nosotros  somos los má solidários de entre los solidários. Nosotros representamos lo que de más fantástico  a atingido el hombre, lo más ala que la humanidad a llegado. Los que más an fecho cumprir lo grandes ideales del ser humano. Pero el mundo a cambiado e tenemos que cumpitir com otros que no se importam com el bien estar de la humanidad, com los equilibrios de la naturaleza e com lo respecho de los derechos humanos. Que gracias a esso, han cambiado la economia del mundo libre debil e estagnada e com esso se fortalecido. (...)


A partir de ahora solo iremos a tener relaciones de igual para igual com los países que respechem los derechos delos hombres, los derechos sociales e de trabajo. Nos reservaremos lo derecho de intervenir para que los recursos de paises fragiles no se quedem em las manos de predadores sin escrupulos. Nos reservaremos lo derecho de intervenir para matener lo acesso á las fuentes de recursos minerales e energéticos, mismo en territórios estrangeros.(....)


Juro defender el way of life americana e implementar las bases de um nuevo paradigma relacional entre los pueblos. Una globalizacion condicionada. Com nosotros estaran quien será como nosotros.


Dios Salve América!


 


(foda-se, como é estranho o castelhano do presidente Rodrigues Zapato)


 

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Um Verão Tardio


 


O Verão no Algarve começa em meados de Maio. Este ano veio mais tarde. Depois de um Maio frio e chuvoso, só hoje fez a sua aparição nestas paragens do Sotavento. Chegou sem se anunciar e no esplendor da sua força: 34 graus à sombra pelas 15 horas. Eu que gosto de todas as estações recebi-o com entusiasmo. Só que... tinha já decidido acabar com os matagais  e as ervas secas em zonas da quinta que podem constituir um  perigo em caso de incêndio.


 


Faz agora quatro anos que tive que evacuar a família no intervalo do Portugal-Holanda do euro 2004, quando o fogo desceu da serra quase chegando ao mar. Eu resisti até ao nascer do dia empapando as terras à volta de casa. Felizmente o fogo manteve-se respeitosamente afastado e não chegou à  casa. Nesse ano  a Serra algarvia ardeu durante todo o escaldante Verão. Depois desse susto não posso descuidar-me.


 


A seguir a um almoço frugal de rabanetes, tomates e cebola apanhados na horta, misturadas a uma lata de atum, meti mãos à obra. Montei o meu velho Deutz, D 4006,  de 1970 e penteei a terra enquanto o Sol escaldava. Quando passava por debaixo de uma oliveira, um ramo atrevido riscou-me  um  sulco de sangue  no  pescoço, do couro cabeludo até às costas. A compensação foi que andava com umas dores na coluna há umas semanas que, com os saltos e os solavanco da máquina, desapareceram completamente. Massagens gratuitas e eficazes...


 


Ao fim da tarde deliciei-me com um magnum de amêndoa numa esplanada com as  serenas águas da  Ria Formosa a meus pés. Uma tarde espantosa antes da invasão que não tarda.


 


 

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Eleições Americanas 2008


 


A minha candidata era Clinton. Mais consistente, mais terra a terra, menos manobrável, uma lutadora, uma mulher sem medo, menos evangélica, dura na hora certa parecia-me uma anti Obama. Sorriso pepsodent, bíblico, telegénico, esguio, calculista, politicamente correcto, portador de uma áurea magnética e geradora de confiança não me parecia o presidente indicado  para a América e para o Mundo.


 


Hillary fez uma campanha notável. Com a imprensa contra, dificuldades financeiras e a elite cultural seduzida pelo "Yes, we can", só um início titubeante,  resultado da convicção (sua e de toda a gente) de que a nomeação seria um passeio triunfal, a impediu de vir a ser ela a próxima presidente.


 


Rei morto, rei posto, estarei agora de alma e coração, sem amuos, com Barack Obama. YES WE CAN!!!!!!!

Touros e Televisão

 


 


Nunca esquecendo que Nietzsche enlouqueceu por ver um cocheiro chicotear um cavalo na cidade de Milão, no... século XIX...


 


 


Enquanto a TVE deixou de transmitir touradas fazendo recuar a barbárie, a RTP promove de forma gratuita  a tortura brutal de animais. No país onde mais aficionados existem, Espanha, esta decisão significa a perda de uma preciosa fatia das audiências. Em Portugal, onde as audiências de touradas são residuais, a "nossa" televisão prossegue no caminho da obscuridade. Porque não transmitem também luta de cães e de galos? Teriam certamente mais audiências. Ou se juntam a "canais televisivos" dos Estados Unidos que  pretendem transmitir os últimos momentos dos condenado à morte?





(texto postado no ano passado, pela mesma altura)





Tenho vergonha da televisão pública nestes momentos. Ainda por cima com o meu dinheiro, com o dinheiro dos portugueses.


 


Estarei sempre com aqueles que resistem. Mesmo que para isso recorram a métodos contrários à lei...


 


Na  TVI vai-se ainda mais ao fundo do nojo. Anuncia-se a exibição de uma criança de 11 anos para gáudio da turba. Manipulada por um pai torturador de animais, um tal de Moura, apresenta-se ao sacrifício como  oferta exótica num circo de dementes.


Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...