quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Minhas mãos sozinhas


 


Um poema de Rui Dias Simão


 


 


Monólogos de Bartolomeu Dias


               na morte de sua esposa


 


1-      Criação:  vivem pelas arqueologias do silêncio


                 reunidos durante as cálidas insinuações


                 do fogo sobre a pedra


 


2-      Orgasmo:  palavras marmóreas aéreas descem


                    à fixidez do vermelho


 


 


 


3-      Morte:  sibilina modorra desprende a língua do fruto


               nas mutações da chuva o rio engorda


               um objecto cortante arde-me frio nos dedos


 


               sei a pulsação do sangue


               digo logo para mim essa nuvem


               rebente profusa em teu nobre peito


 


4-      Solidão:  a solidão transporta o resto para


                a penumbra dos esgotos


                


               única musiqueta de todas as maneiras


                intransponível


                faca


 


                aparecem na babugem os peixes mortos


                até isso me vem parar


                às minhas mãos sozinhas         

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...