terça-feira, 30 de dezembro de 2008

March 21, 2007 Registo número oito [Registos gerais sem pretensões de diário]


March 21, 2007


Registo número oito [Registos gerais sem pretensões de diário] — joão bentes @ 3:57 pm



Julgo que a minha educação falhou de alguma forma, e que esse assinalável embuste escapa à capacidade de juízo da minha natureza. Sou por isso uma pessoa amedrontada. Não porque receie que algum desconhecido na rua me esfaqueie a troco de míseras importâncias, mas sim porque a minha lucidez é uma estranheza pouco abrangente. À imagem do meu rosto todos os outros são pouco esclarecidos. É devido a essa falta de confiança que os meus sentimentos são uma névoa de emotividades suspensas num paralelismo sempre ambíguo, desguarnecidos da clareza própria aos homens fortes.


Infelizmente nunca me considero ridículo, nem de algum modo penso que as minhas atitudes podem ser desrespeitosas, pelo que não posso, e ninguém pode, em qualquer situação, colocar a minha seriedade em causa. Não sei se estas observações abreviam-me a indolência, ou se a força da minha expressão terá suficiência redundante.


Não sou um indivíduo político, mas estou guarnecido de tal promiscuidade. Tenho a certeza de que conspiram contra mim, mas a minha fragilidade é hostil e acabarei por me tornar mártir. Tratar-se-á de mesquinhice ou decadentismo senil. Há quem no vulgo me ache a personagem trágica de um enredo extremamente óbvio. Enfim, sempre houve de tudo e para todos. Eu não vou além da minha fúnebre tristeza, do masoquismo da minha melancolia.





March 19, 2007


PS: Se algum estúpido me vier falar de erros ortográficos, que vá levar no cu. O erro ortográfico está para a literatura como o nú está para a arte. Ou como o ânus está para o sexo. Ou como a cegonha está para a maternidade . Ou...é melhor parar por aqui, não me vá sair algum disparate...


PS2: Vou voltar a colocar a tag sexo. Estou tão por baixo nas visitas, e até não vai em contra-mão. Pois não?!


PS3: O joão é meu amigo e ainda vamos ouvir falar,e falar, muito dele.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Conforto das Distâncias



 

A passagem conforta os que não têm nada

os que procuram

os que nunca encontram.

A passagem é um caminho que reflecte as sombras do passado

enquanto dormem os inúteis sobressaltos.

 

Há gente que precisava de mais vidas para amar

os sinuosos tremores da paixão

as escolhas impossíveis e imateriais

os labirintos claros da impotência que sopra da juventude

difusa, larvar  e narcótica.

 

A passagem une o que respira ilusão.

 

Os sonhos são a realidade por cumprir

quando da solidão nasce a palavra que embriaga

que sorve o conforto incontornável das distâncias.

 

Há gente que precisa de mais vidas para sofrer.

sábado, 20 de dezembro de 2008

4 águas na cidade - 69 poemas de amor

A  4 águas editora apresentou e apresentou-se na livraria Bulhosa com o livro de Casimiro de Brito, "69  poemas de amor"

 

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Um Homem Apagado


                                 Anselm Kiefer


 


Sou um homem apagado. Entendo as coisas mas elas não se dão conta que as sinto. Às vezes masturbo-me. Se esvoaçam as meias e as cuecas da vizinha, a punheta é lasciva e violenta. Se nada acontece, acabo a meio gás. Atiro esperma às coisas, através da janela, mas não chego a molhar nada. Se sujo as calças, as nódoas são de gasolina porque lá fora estou sujeito ao ridículo, das pessoas sociáveis. Nunca compreendi porque podem os cães exibir os tomates, sem ninguém corar. Ou o poder de alguns sons, que não podem ser emitidos em público.


 A vida, a dos outros, é composta por sucessos e insucessos. O poder é o insucesso mascarado de sucesso, para iludir os que querem o prazer nosso de cada dia. A carreira ou a vida é um dilema tracejante e de resposta óbvia. Agarrem-me esse palerma! As águas não lavam as mágoas. Só tornam transparentes as emoções obscuras. O local onde se curtem as dores sem sentido da impotência.


 Sou um homem apagado que gasta as horas nas ruas escuras da existência. Entendo as coisas, mas as coisas aspiram a entrar na história e a história é o poder, a repressão do prazer. O pecado solto e desengonçado apela, por entre os valores, asfixiado por normas sociais, a elegantes rasteiras possidónias e patéticas.


  A mim, que caminho ao sabor das ventanias, o tempo flui sem interesses culturais adjacentes. As pedras parecem sapos deitadas na estrada exalando odores ígneos profundamente enraizados nas consciências povoadas de dor.


Acalento ainda a esperança de cumprir o futuro: conhecer a mágoa imprópria da vida.


 Só os sons parecem conhecer as palavras e seleccionar os momentos inertes do silêncio. Eu, não pertenço ao labirinto social complexo das imagens. Não cortejo a roupagem dos imbecis poderosos nem, muito menos, a dos poderosos imbecis.


 Às portas estreitas do vazio correspondem sempre avenidas largas de insegurança magnética e obscuridade flamejante e numinosa : hipantropias seladas contra a solidão imberbe da cultura.


  Sou filósofo do espasmo, acrata do pensamento. Acontece mesmo que sou um homem apagado.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Trovas do homem que caça


 


Depois de 30 anos de hibernação pelos veludosos sofás da assembleia, o homem acordou. Que era vaidoso e populista (redundância inútil) toda  a gente sabia.


Assistiu ao meter do socialismo na gaveta e nada disse. Viu o PS aliar-se com o CDS, e nada disse. Pertenceu ao governo do bloco central, e voltou a face às bandeiras negras da península de Setúbal. Conviveu com o socialismo beato de Guterres, e não estrebuchou. Pelo caminho votou a favor de todas as alterações legislativas que atiraram "as conquistas de Abril" para o caixote do lixo da história. O que se passou então?


A minha modesta interpretação é que quer ser presidente! E para ser presidente tem que fazer o pleno da esquerda como fez Soares na segunda volta.


 


Não percebo o que é  que o Bloco de Esquerda anda a fazer com o homem ao colo! Também quer eleger um presidente? Quer crescer de tal forma (com Alegre) que entrará de rompante para o governo? Não viu ainda que o homem quando ouve falar em casamentos homossexuais, todo é tremores frios e marialvismos. O campeão da liberdade. Não o criticava ainda há pouco como "beijador de estátuas"? Não o tem visto, pelo Alentejo fora, em coutadas de caça, atirar às perdizes ombro a ombro com Dias Loureiro?


 


Até como poeta, na minha modesta opinião, não escreve nada com interesse há 30 anos. Agora, para além de dissecar sistematicamente a sua coragem, apego às liberdades e à verdadeira esquerda (eu,eu,eu,...eu), em livros e nas televisões, rabisca ainda umas apologéticas linhas sobre os belos olhos da boga e as reluzentes penas das narcejas  e .. nada mais.


 


A minha esquerda é outra! Não embarca em oportunismos efémeros e serôdios. Em marialvismos popularuchos e sebastiânicos.


 


Os que comigo percorrem os caminhos nunca dormiram no aconchego da previsibilidade!


 


 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

4 Águas na cidade

Sexta- Feira lá subirei, com muito custo, à cidade. Dever de editor.  Só por isso abandono o meu sagrado  eremitério. E mesmo assim, até ver...


 



 


Apareçam!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Figuras de Proa


 


A figura de proa  rasga as rudes e imprevisíveis contingências das tempestades. Mas a espuma que nos asperge o rosto é um elixir que nos transporta ao transe absoluto da loucura...

sábado, 6 de dezembro de 2008

os animais da cabeça II

 



 


(Percebendo quase tudo adjacente

a Mário de Sá-Carneiro)


 




O animal doméstico engorda

a cada passo de esfregona

assexuado como um carrossel

na cabeça

um pequeníssimo sol

mal respira

por muito que aponte

não há céu provável

no horizonte

O animal doméstico

é um pequeno homem

O animal doméstico

sou eu

E eu sou eu e sou o outro...

(imaginai o que não teria para aguar

o benfazejo Bivar no dia seguinte

à demorada proliferação de poetas)

Durante a genética moralidade

por vezes

a portugalidade dói


 


Rui Dias Simão


 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Nuvens à Esquerda

 



  Nuvens à esquerda. Qualquer coisa entre mim e o Sol poente.


  Tinha um ar tão grave quanto se podia imaginar e mesmo assim sorria. Sorria às coisas. Pronto. Tudo se passou como uma brisa contra a tempestade ( aliás previra-o ). Quantos calafrios a atravessar a noite poeirenta. A vida.


  Apeteceu-me chorar pedaços de carne. Da minha carne.


  Há um mundo a desabar sobre o meu ( que já não chamarei mundo nem terei coragem de apelidar ), com asas grandes a afastar as únicas borboletas que restam do meu amor. Uma auto - estima inútil e nua. Perdi todas as correntes e esqueci todas as portas. Quase todas... ( é próprio dos moribundos agarrar freneticamente um sonho esfaqueado )


  O céu fundia-se como o ribombar dos trovões na mente dos aflitos. Multidões de gritos, como abutres, esperam o cair da noite. À noite as flores entregam-se a si. À noite ninguém assassina flores.


  Não existem recordações de infância onde os sentimentos flutuam em convulsões febris. A minha dor não tem memória, mesmo não podendo imaginar dores sem memória, por isso é irreversível, sem origem. Como a noite que cai...


  Nas asas do sono brincam sorrisos rodopiando eternamente ao vento.


  Há nuvens à esquerda incapazes de me tocar, receando perder a capacidade de estar sós.


  Perdão, a noite cai. O Sol, e eu, vamos para o outro lado da penumbra.   

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...