domingo, 28 de fevereiro de 2010

gosto tanto de te ver ao sol leãozinho


 


Valeu a pena a força dos 7 000 000 de crentes nO Glorioso para ver os lagartitos a jogar como leões.


 


Cuidado aí para a A1, as estações de serviço que se ponham em alerta máximo. Os autocarros carregados de melão são perigosos.


 


Para os meus amigos portistas. Não esmoreçam, para o ano há mais.

viva la muerte

 




 

JN
28 Fevereiro 2010


 


 





   
 

 

 
 





                                             




 



 
"Viva la muerte"
 


"Viva la muerte"

<input ... >


Só nos faltava esta: uma ministra da Cultura para quem divertir-se com o sofrimento e morte de animais é... cultura. Anote-se o seu nome, porque ele ficará nos anais das costas largas que a "cultura" tinha no século XXI em Portugal: Gabriela Canavilhas. É esse o nome que assina o ominoso despacho publicado ontem no DR criando uma "Secção de Tauromaquia" no Conselho Nacional de Cultura. Ninguém se espante se, a seguir, vier uma "Secção de Lutas de Cães" ou mesmo, quem sabe?, uma de "Mutilação Genital Feminina", outras respeitáveis tradições culturais que, como a tauromaquia, há que "dignificar".


O património arquitectónico cai aos bocados? A ministra foi ali ao lado "dignificar" as touradas. O património arqueológico degrada-se? Chove nos museus, não há pessoal, visitantes ainda menos? O teatro, o cinema, a dança, morrem à míngua? Os jovens não lêem? As artes estiolam? A ministra foi aos touros e grita "olés" e pede orelhas e sangue no Campo Pequeno. Diz-se que Canavilhas toca piano. Provavelmente também fala Francês. E houve quem tenha julgado que isso basta para se ser ministro da Cultura...


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Balsa, memória flutuante


 

Nesta casa e nestas terras,  andei, na adolescência, com amigos, "investigando". Ainda tenho em casa vários fragmentos de ânforas e um amigo meu possui uma colecção de moedas romanas apreciável.

 

Nestas águas da ria, ando agora de canoa com amigos já entradotes (eu inclusivé).

 

A RTP2 vai exibir hoje, quarta-feira, 24, a partir das 23:40 horas, o filme «Balsa, Memória Flutuante», um documentário que aborda a memória e o património da cidade romana de Balsa, localizada no concelho de Tavira.

 

“Ao Porto de Balsa chegavam barcos e mercadorias dos mundos distantes de Roma, Cádiz, de Leptis Magna, de Thamusida, de Lixus e de Cartenna. As suas ruínas, soterradas há mais de mil e quinhentos anos, esperam para revelar uma das cidades mais vivas do Mediterrâneo ocidental”, conta a sinopse do filme, realizado por José Manuel Lopes.

 

 

Aqui no quinta, os primeiros 10 minutos do filme do meu amigo José.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

até ao fim das marés












           


 


            Não me digas que as galinhas gostam de queijo?, perguntei incrédulo, mergulhado na areia da praia postiça.


            Sim, respondeste, com cara de poucos amigos. E têm preferência por queijo da serra.


            Seriam quatro horas da tarde de um dia qualquer e o vento soprava de penente, sem dó. A areia fazia-me cócegas na parte inferior dos tornozelos. Na praia deserta começava a fazer sentir-se um odor a precipício e prossegui o questionário inquisidor: e a que sabem as galinhas comedoras de queijo?


            A galinha, naturalmente, respondeu a minha amiga, do outro lado da maré mortiça.


            Tinha lógica. Galinha alimentada a milho não sabia a milho, pois não? Mas queijo??!!


            Bom. Esqueçamos as galinhas que outros problemas amoro-filosóficos mais prementes se alevantam. Mas queijo?...


            Ah, e aquela dos ouriços que não gostam de cães?, perguntei maldosamente.


            E com toda a razão, opinou espontaneamente a minha bela e colaborante arqueóloga de sonhos escalavrados. Se os cães gostam de ouriços – gastronomicamente falando, claro – é de todo natural que estes não os apreciem e …


            Interrompi a sua rápida e incisiva (diria mesmo canina) argumentação, com não menos veloz e flamejante raciocínio. Mas eu gosto de ti e, até às cinco da tarde como prometido, tu gostas de mim.


            Não confundas gastronomia e sobrevivência, com amor e ódio. Replicou sem pestanejar. Eu sobrevivo sem ti, sem amor e sem ódio, até ao fim das marés. Sem religião não existem escravos. O amor e o ódio cativam as consciências obtusas da servidão.


             Meu Deus!

            A abrasão arenosa envolvia-me a pele peluda dos milénios. Nos joanetes assexuados convergiam exaustos os fantasmas da perplexidade funesta. Da atmosfera cálida. Reacção dos poros epidérmicos à invasão sedimentar. Na imaginação imensa da maresia, atropelavam-se cães, galinhas, ouriços e sexos. Sexos brandos e apocalípticos, soçobrando de espanto.


            O ódio aproximava-se devagar, como era conveniente. Conveniente e imperioso. Na vastidão absoluta dos sentimentos inertes uma gaivota de papelão guinchou na tarde. Da anti-praia sons da aproximação do Levante invernoso. As areias da vida movediça envolviam-me calorosamente e sem mágoa visível. Dizível, pelo menos. O fim da tarde fazia o seu caminho, inexorável.


            A minha tia alimentou os felizes galináceos a queijo e nunca se queixou da cor da canja. Mesmo a crosta, que envolvia o caldo milagroso, lhe era meio indiferente. Aproveitava-a para barrar o pão.


            O atrito da caneta do tempo soava sulcando o papel da vida. Arrepiava o silencioso tombar do dia. A solidão, brutal e sanguínea, assomou às cinco da tarde de um dia qualquer. Até ao fim das marés.


 

 

Texto para o Luíz Pacheco. Um escritor como outro qualquer.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

o esquecimento é o caminho da sabedoria


Um homem atravessou as portas da cidade. Quando deparou com a vida dentro de portas, cansou-se e voltou atrás. O ermitério de onde tinha vindo era a sua casa e a sua casa ficava perto do mar. Dali ouvia  as ondas e o vento que as levantava contra as praias da sua infância. Foi assim que se despediu de todos e passou a falar para tudo o que tinha deixado para trás. A noite compensava-o das saudades dos amigos. A solidão era o infinito que sempre procurara. Nunca os sonhos tinham sido tão claros: o caminho do esquecimento será a mais feliz das jornadas, até ao fim.

confusa espera


 


(... cheguei sem sentir o vento) Na rua,


enquanto esperava a tua voz,


percebi que o colapso era uma confissão


lenta de frenesim anunciado.


Os caminhos, de bermas floridas,


levam à cidade que ocupa o horizonte


pejado de aves sangrando


na placidez dos tempos.


A voz que não ecoa do alto


das montanhas sombrias


constrange a ação dos miseráveis


apelos da rua silenciosa,


da vida suspensa que arde na calçada insuportável.


Os passos desajustados calcam


presas insensíveis ruminando


milenares crenças no mistério


do labiríntico ciúme


transferência dos desejos ocultos da comédia.


 


(... agora já sinto a brisa) Na rua,


o silêncio impera tolhendo a dor


que asperge os incautos,


rodopiando nos corpos suspensos da cidade


que não cumpre os bizarros ditames da multidão,


a voz que se espera, confessora


da impotência crescente da paixão.


 


Os dias que se erguem na confusa


espera do som que aclama


a crua rebentação das águas


virão enaltecer o polivalente


rumorejar da ilusão pétrea.


 


Tavira (4 águas), 8/02/2010


 


 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Madiba


 


Um ser humano excecional. Um político extraordinário.


 


Foi libertado há 20 anos, tendo sempre sido livre.

politicamente incorrecto e, nos dias que correm, muito perigoso


 


Os políticos são dos cidadãos dos países democráticos os menos corruptos. Isto deve-se à permanente observação a que estão sujeitos em todos os aspectos da sua vida. Os jornalistas andam em cima deles (dependem deles e vêem em todo o lado Watergates que cantam), os juízes deliram com uma presa do outro poder, o cidadão comum espuma de prazer com o arrastar na lama de um dos que elege (por ação ou omissão), As escutas não os deixam dizer um palavrão, ao telefone, no café, na sauna, no futebol, sem que eles apareçam no dia seguinte na televisão ou na capa dos jornais pondo em causa a sua  integridade moral (lembram-se do desabafo de  Ferro Rodrigues ao telefone "cago no segredo de justiça" o ter tornado um perigoso abusador do 3º poder?). Também, diga-se de passagem, são dos mais tentados por todo o tipo de poderes paralelos, uma vez que das suas decisões depende muita circulação de dinheiro e mordomias.


Numa sociedade que se torna cada vez mais inquisitorial e em que a queda dos "grandes" representa uma das mais apetecidas e mediáticas estórias, os políticos viraram as hodiernas vítimas do fogo do santo ofício.


 


Ai de um político que compre um preservativo sem pedir factura...


 


(Meus amigos, batam à vontade, o pescoço está à vossa disposição para o uso sem limites da guilhotina.)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

no tempo das romãs


Sempre que a noiva comia romãs tremia. Era como se um tufão se aproximasse da costa. A romã actuava nela como um poderoso afrodisíaco. Quando o tempo das chuvas se aproximava, devagar como convém nos secos clima mediterrânicos, a preocupação invadia-me secretamente. Não tinha sido diferente naquele ano.


Do verde amarelado, foram abraçando o vermelho erótico e clamando pelo passante. O dito era eu, na maior parte das vezes. Mas,  na calmagem dos caminhos calcários pousavam, por vezes, pés descalços e dançantes: era ela, a minha noiva.


Conhecia-a há três anos. Doce como o fim das tardes de verão sem vento, bela como só eu sabia, arrancou-me o coração no primeiro momento. O futuro toldou-se-me num tempo irrecuperável e incerto, como a filosofia que atrai multidões sequiosas de sangue. E diria ainda mais; a solidão recuperou o seu significado supremo: a dor sem possibilidade de sentir o prazer do coração aflito. Eu para quem a independência era a vida. Nesse dia, há muito esquecido, entrou em mim uma luz que me sequestrou do mundo  e me enlaçou na morna sepultura do, dizem, amor.


Era doce como a tarde que se faz esperar. Como o caruncho da noite que não vem. Chegou e ocupou o lugar que era meu. Ocupou ainda mais de mim do que eu alguma vez teria ocupado.


Há três anos, era eu um rodopio fogoso e despreocupado, alegre e bondoso. Mas como mudei em três anos! Vivia para ela e vivia dela. Os dias passavam e a embriaguês sussurrante das fímbrias dos seus vestidos entaramelavam-se nos meus sentidos. Relia no meu corpo a sensação cruenta e terna dos afagos de minha mãe. Os pensamentos não engrenavam no segmento seguinte e encavalitavam-se em cacos de ideias incompreensíveis e dolorosas.


Ela, a minha noiva, possuia-me e o enamoramento violentava cada vez mais a minha identidade, a minha alma secreta. Penso até, e só hoje o comecei a vislumbrar, que a minha alma saltou para o corpo dela. Vive nela e parece feliz. É... é apenas um pressentimento. Mas o vazio que o meu corpo encerra leva-me a acreditar cada vez mais nisso.. Um vazio leve onde me espanto com o desconhecido de mim para mim mesmo. Onde me perco sem referências, onde é necessário construir para recentrar o mundo. Sim, porque o centro do mundo passou de mim para ela, a minha noiva. E quando ela se afasta sinto-me periférico e só. O vácuo que transporto não permite a edificação de um novo eu. Os blocos constituintes de uma nova alma, sempre tão difícil de arrumar, não se enleiam neste ambiente sem ódio, sem lágrimas e sem idade. É uma tarefa impossível, e sofro, e aproximo-me cada vez mais dela, do meu centro do mundo, da minha alma, da minha noiva.


Neste lento aproximar do tempo das romãs, uma ideia solta e intermitente azougava-me os ouvidos. Vinda do além (da minha alma emigrada?) a morte segredava, como só ela é capaz. A morte resolve todos os problemas a quem a ela se entrega. Porém o problema  parecia intransponível ( incontornável, diriam alguns). A minha noiva transpirava vitalidade nos líquidos e sólidos que a constituiam. Da carne espamódica e dos suores voluptuosos. Das almas que transportava.


A morte precisa de executor. Eu próprio como  me poderia   apagar sem despedaçar os restos sobrantes da minha carcaça? E o que aconteceria à  minha alma fugidia e feliz no corpo dela?


A chuva de outono aproximava-se vinda dos castelos púmbleos que viajavam num céu sem estrelas, ribombando apelos completamente imparáveis. As romãs cumpriam o seu destino. O rubi pintava-as inexoravelmente dando-lhes o poder da paixão, ígnea e caprichosa.


Os pensamentos da morte trilhavam o seu caminho de pó e lama, de som e de silêncio, na consciência esburacada do homem sem alma.


As chuvas começaram a cair,  grossas e quentes, levantando partículas do estio longo e seco. Água e terra misturavam-se no  ar. Primeiro,  preenchendo as rachas da terra ressequida e exangue. Depois, atingindo as raízes esquálidas das árvores sedentas e das sementes das ervas daninhas. Das flores que se erguerão na primavera longínqua. As romãs colheram o sinal. E o sinal alastrou pela terra desolada onde o restolho amolecia. As galinhas deixaram de parir e a minha noiva cantarolava a toda a hora. Quando a primeira romã estalou prenhe, deixando escapar um sorriso da cor da carne, não se conteve e precipitou-se, inconsciente, sobre o fruto divino. Vagarosamente,  foram desaparecendo nos lábios latejantes os bagos do fruto do amor (romã/amor).


Perante a cena embriagante da possessão das almas que a carne da minha noiva continha, decidi o futuro próximo da vida que nos animava. O resgate da minha alma.


O sorriso diabólico que me aspirou o corpo gemia de prazer e de dor. Os sussurros que sentia soltarem-se dos meus espasmos fundiam as almas que eram nossas.


Revolvendo a terra húmida, sob o olhar concupiscente da romanzeira cúmplice, rolámos inimputáveis  como deuses que se degladiam na espuma. As minhas mãos percorriam a pele escorregadia, o pescoço longo e frágil. A minha noiva estremecia e da boca escancarada, escorreu um fio escarlate e doce. Um rio por onde a minha alma transmigrou, regressando a casa.


E tudo serenou na felicidade efémera da tarde.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

não entendo mas percebo


Eu que navego, há muito, nas mais alterosas ( portanto perigosas e, até, neuróticas )  vagas da esquerda, não consigo entender o apoio do PCP e do BE ao regabofe da Madeira.


 


Entender não consigo. Mas percebo... é por uma mão cheia de votos na região autónoma.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

nem com a ajuda de 6 milhões


Numa conjunção desportiva mais rara do que um  alinhamento  astral que dispusesse todos os planetas do sistema solar em linha reta, estive ao lado dos lagartos nas duas últimas contendas futebolistas. Pois mesmo assim, os coitados não conseguiram nem um empatezinho nos dois prélios. 1-0, com o Braga. 5-2, com os lagartos um pouco maiores. Afinal é tudo lagartagem.


É claro que esta minha "one life" disposição se deveu ao interesse superior dO Glorioso. A vitória dos infelizes de alvalade interessava aO Maior dos maiores. Ficávamos na frente do campeonato, no primeiro caso, e desmoralizávamos, ainda mais, os andrades, no segundo.


 


Estes últimos, impotentes dentro das quatro linhas, como sempre, já atiraram a redondinha para fora de campo e entretêm-se a esgrimir contra moinhos de vento em túneis, balneários, quartos de hotéis e bifanadas em casas de alterne. O mafioso, escutado como nunca, espuma raivoso e dispara em todas as direcções, desesperado. O que vale é que O Glorioso não treme, não teme, e no fim saberá honrar os perdedores com a suprema arte de ser O Melhor.


 


E Pluribus Unum!

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...