segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Um mar de vidro


Ora, chegando ali sem dificuldades



Não encontrei o meu irmão pássaro que por ali deveria estar.

E descemos pelo caminho das piteiras-da-índia

Para junto dos homens e eles disseram: o pássaro

Morreu, ide em Paz. Porque te contemplas

Como se a culpa fosse tua?

Ninguém é livre para decidir o que contempla, respondi.

Para estes homens, espreitando das açoteias de barro,

Certamente, o perfume da morte detém a morte!

Porventura nunca chegarão a louvar-se a si próprios,

Porque eu os entristeço e manifesto a fragrância

Do que não existe. Deveis consolá-lo e não esquecê-lo!

Os pássaros creem, fazei, pois, o que admiram

E amam mesmo se esta não for a lei da multidão.

Vós que estais contaminados pelo ódio entoai

Cânticos diante dos anciãos e dos animais, diante

Das suas chagas reluzentes e mortais, perante

O medo dos homens comprados como se de primícias

Se tratasse e que nas suas bocas não se encontre o engano.



Vi, então, a sua cabeça ferida de morte e pus-me sobre a areia

Da praia gritando sobre as suas cabeças chifrudas:

É blasfémia a vossa guerra. Sobre os pequenos e grandes rios,

Os pequenos e grandes servos e indigentes será aposto

Um sinal que anunciará a vinda de um mar

De vidro da cor do vinho.



Cativa, 22 de março de 2025

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