domingo, 20 de dezembro de 2009

E Pluribus Unum


 


Meus amigos e minhas amigas, chega de correrias nos antros abomináveis do capitalismo para me encontrarem a prenda merecida. Até ao ano que vem basta-me a que este Domingo recebi.

BOAS FESTAS

BOAS FESTAS a todos que eu estou  na maior.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Poemas do Banco de Trás


O novo livro do poeta Rui Dias Simão já borbulha, ígneo, nas rotativas do tempo próximo. Poemas do Banco de Trás, assim se nomeará o dito (so?), sairá (saltará)  para a luz dos dias nos alvores de 2010. A editora, a de sempre. A que existe para o editar (e celebrar:) Edições Cativa.


 


Só para  vos deixar hiantes de perplexidade, aqui vai um cheirinho daquele que irá ser, seguramente, o grande acontecimento literário nacional do ano que vem.


 












COMPREI UNS SAPATOS NOVOS


 

 

                                   Não sei como nem porquê mas regresso

                                   assiduamente à derriça que me envolve


                                   o corpo, este corpo de lama, que sempre


                                   fecha as portas ao silêncio vivo.


                                   Não sei como nem porquê, entrei numa


                                   casa e trouxe uns novos sapatos novos.


 

                                   Este grito lunissolar que me apaga


                                   os olhos, resmunga nos espaços entreabertos


                                   e moribunda o caminho que adivinharia


                                   a simplicidade interior.


 

                                   Não sei ainda dizer adeus às flores mortas,


                                   aos rios apagados, às veredas cansadas,


                                   aos labirínticos dizeres das pessoas


                                   dos outros.

                                   Mas existe, existe algum lume


                                   para dizer mais do que esta página


                                   riscada pelo avançar da noite, quase


                                   rosnando para a quimera da falta


                                   dos espaços planetários


                                   de mim?

 

                                   Não sei como nem porquê mas


                                   regresso de muito em vez à sombra


                                   dos lugares que me apagam a pele.


 

                                   Onde estás tu, ó amplexo fantástico


                                   das vozes luminosas - tal qual -


                                   pois não sei como nem porquê mas


                                   já se percebe o estiolamento prematuro


                                   deste animal num fogo diurno 


                                   dos seus aparentes dias azuis.


 

                                   Comprei uns sapatos novos.


 

 Rui Dias Simão

 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

bocados de carta


 


Estou a jogar à sueca na praia


eu e mais dois freaks


às vezes vou mijar por causa da cerveja


sinto-me mal


podia sentir-me pior


há sempre um barco com pescadores a esperar pela solidão


enquanto nós sorrimos


ás vezes penso que já fui campeão de dados do Algarve


(em, creio, 1937)


 


Dói-me não estar contigo mas o que me dói mais é não estar


comigo quando não estou contigo


um alemão atirou-me uma batata (agora sei que cozida) à cabeça


quantas tendas na minha cabeça


dói-me o (ainda) não te poder                                                                                beijar


compreendes o que é não te poder acariciar? ( com certeza não...)


 


Enrolo sem saber. Um cão acariciou-me os pés.


Adoro-te


é terrível, é difícil o coração sentir-se em liberdade


por isso sinto vontade de chorar de mansinho. Sim de mansinho


porque não gosto de esperar conselhos (talvez carícias) dos outros.


 


Espera, a luz do Sol está a corromper o mar


vês os meus olhos a correr por entre as dunas


não?


 


Para mim é sempre triste sonhar os pesadelos dos outros


mas para quê espremer cebolas nos olhos


não basta o voar das gaivotas cabisbaixas?


 


Quero estar contigo sempre e os desejos são sempre


pássaros de cabeça enterrada no mar. levanto-me


ao som de três espingardas sem balas.


O planeta (que é o meu) parece morrer


as galinhas parecem rejeitar crocodilos já rejeitados.


 


Para a semana vou (envol) ver-te, até lá pensa


em tudo o que é a nossa capacidade de gostar um do outro


 


um beijinho (talvez sem sentido) do eu.


 


PS: escrito há mais de 25 anos por um jovem perdidamente apaixonado.

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...