segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

um taxista feliz


 



Talvez fossem seis da madrugada quando a mulher chegou a casa, velho apartamento na Venda Nova, subúrbio de duas cidades. O filho dormia o sono profundo da adolescência. Pousou a mala no sofá da sala, e foi beijá-lo com lágrimas a esmagar-se no chão cheirando a alfazema. Meteu-se debaixo do chuveiro e desapareceu na nuvem de vapor que consumia o cheiro a tabaco e homem da noite inabitada. Nem o espelho refletia a luz do corpo cansado, enquanto se envolvia num roupão que fora azul. Vestiu-se na madrugada final e fumou um cigarro na kitchenete dum sétimo andar qualquer. Fumou outro e esperou demoradamente o esplendor da luz do dia que se adivinhava. O despertador digital rompeu o silêncio dos afetos, atirando à triste rigidez das paredes debotadas a música dos dias sem sentido. Pôs-se a fazer torradas e aqueceu o leite. Retirou a lata de chocolate em pó da chaminé.
 - Aníbal, Aníbal, são horas. O odioso nome do pai. – Aníbal… vem…vem…
Sentaram-se nas cadeiras plásticas e, sem medo do amor, ele percebendo tudo. Ela sentindo a noite a ocultar-se na vida. Aos dezasseis anos já se compreende tudo, talvez como nunca mais alguém o possa entender. Sairam no Ford Fiesta para a procissão dos que não têm nada a perder e perdem tudo. Para, arranca, para, arranca e as palavras cumprem o tempo antes do princípio: o labirinto das vozes.
 - Aqui mãe, deixa-me aqui. A escola ficava ao fundo da rua em movimento. Parou o velho automóvel em segunda fila e um beijo ecoou nas memórias dolorosas duma casa com gritos. Viu-o descer a ladeira com a mochila às costas e, mais ao fundo, encontrar um grupo de amigos. Riram até os deixar de ver para lá dos portões da escola.
Meteu a primeira e, de olhos baços, dirigiu-se ao balcão do centro de emprego. Um homem que a tinha olhado demoradamente chamou um táxi e, para felicidade do condutor, viajou para longe.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

leituras encenadas


 


Às vezes é preciso sair da ‘zona de conforto’ para poder reconstruir o caminho....

Armação do Artista dixit:

É NOSSO OBJECTIVO ENVOLVERMO-NOS CADA VEZ MAIS COM A COMUNIDADE. DESTA VEZ ABRIMOS AS PORTAS E JANELAS, PARA QUE OS PROTAGONISTAS SEJAM OS QUE EM COMUNIDADE HABITAM AS PESSOAS... BRINCANDO E REFLETINDO EM CONJUNTO, COMO TÃO BEM O TEATRO SABE FAZER...


 


LEITURA ENCENADA DO INSPECTOR GERAL DE NIKOLAI GÓGOL - dias 20 e 21 de janeiro, com lotação esgotada.


 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

não há tempo para voltar atrás


 


LEITURA ENCENADA DO "INSPECTOR GERAL" DE NIKOLAI GOGOL


 


DIAS 20 E 21 DE JANEIRO,NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE TAVIRA-ÁLVARO DE CAMPOS,PELAS 21H.30M.ESPERAMOS POR SÍ!!!!!!!!!

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...