terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Salazar, Involuntário

Como tinha contado no post anterior, anda-se a votar em Salazar sem saber como. Hoje no Público, secção "MEDIA", podemos ler sobre a fraude em "SMS anónimos levam a voto em Salazar".


Bela ocasião para a RTP se livrar do problema bicudo em que se meteu: exclusão do dito cujo, e de outros se for caso disso, por usurpação de voto e fraude. E o concurso "Grandes Portugueses" pode continuar com brilho.


Quanto vou receber pela assessoria, D. Elisa?

Natureza Morta

A contenção da laranja


irrompe na escuridão global


da gramática improvisada


espelho virtual


em combustão.


 


Terminologia invulgar


na precedência dos ciclos


intemporais e inúteis,


na lâmina escorrendo


confluências sanguíneas


em relações implementadas a


dois.


 


Eu e a minha


natureza morta.

sábado, 27 de janeiro de 2007

O Melhor Português da Treta

Hoje encontrei um amigo que me contou uma estória curiosa. Recebeu uma mensagem de telemóvel de um, seu, amigo para lhe telefonar para um número que referia na mensagem. Não o desse seu amigo. Estranhou mas, confiando no amigo, seu, lá ligou para o dito número. Estupefacto e apalermado ouviu, do outro lado da linha, mais ou menos isto:


"Parabéns, acabou de votar no Dr. Oliveira Salazar como o maior português de todos os tempos, no concurso "O Melhor Português", da RTP. Obrigado."


Assim também o meu cão, que por acaso se chama "Blog", poderia ser considerado o melhor português de sempre. Ele que até é já o "melhor-cão-do-mundo".

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Ruído

Ruído, ruído, ruído... condene-se a verborreia!


Pena:


- arrotar sete vezes ao dia;


- Comer ovo cru em jejum durante três luas;


- sacudir o pó das unhas sempre que comer gelados;


- esmagar entre os dois polegares um papo-seco, bem seco;


- utilizar o referido papo-seco num gaspacho bem avinagrado.


Por fim:


Obrigue-se o prevaricador a dormir sesta de Branca de Neve.


(Segue-se assinatura ilegível)


fthdtyksrtu

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Serão Cavalheiros


Infelizmente não consegui a foto que queria (nabice minha) em que cidadãos do Reino Unido (I presume) arrecadavam de tudo o que dava à costa em contentores caídos do Napoli.Até uma mota de grande cilindrada ( esta disputada por vários "predadores") lá foi em cima de um camião. As fotos pareciam as que vemos , em situaçoes de catástrofes, em países do terceiro mundo. A seguir ao tsunami do Índico, da chegada dos americanos a Bagdade, etc, etc.


Serão cavalheiros britânicos, senhor Carlos Espada?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Barbeados para a Corrida

 


 


 


 


 


                        Na luz forte sem arrepio


Calados os restos de anjos


Partículas atiradas


Na lenta, doce


Corrida que se fecha


Na consciência dos trigos


Em prantos celestiais,


Nos pântanos esquecidos da dor


 


Agora! na luz forte sem arrepio


 caiu alguém


Garras violam sementes, movimentos de


Folhas sem cio cobrem as ruas


Terras por descobrir oferecem


Fêmeas por sacrificar


No promontório da saudade.


 


Santos e cavalos


Barbeados para a corrida


Sorridentes aceitam esmolas.


 


A multidão escarra-se


Em preces fanáticas antes de morte.


 

Durante a Noite Veio o Frio

 


                Durante a noite veio o frio


E a fealdade transformou-se em vácuo.


 


Nada seria mais simples


Se o passado se eternizasse


Num corpo ensanguentado.


 

Untitled

 


 


 


 


                             Algumas vezes


Odeio as raparigas dos dragstores.


 


Abril dos cravos


É o meu lema.


 


Algumas vezes


Odeio os folhetos que me impingem.


 


Revoluções


São o meu pão.


 


Algumas vezes


Odeio os votos das circunstâncias.


 


Rastejar


Parece-me triste.


 


Algumas vezes


Rastejo e odeio as florestas.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Aborto e Parvoíce

A minha única intervenção pelo Sim no referendo do próximo dia 11 era para se limitar à "etiqueta" que aparece na coluna da esquerda deste blogue. A discussão é sempre a mesma e para esse peditório já eu dei muitas vezes. Os avanços científicos atirados, como desequilibradores, à praça não acrescentam muito e quando o fazem dão para os dois lados. Sou pelo Sim convictamente mas compreendo a posição da maioria das pessoas que defendem o não e não é por aí que o gato vai às filhoses, ou seja que eu entro na liça. Aliás nem vou entrar seguramente. Agora tenho lido e ouvido tanta parvoíce nestes dias vindas das bandas do não que não poderia ficar calado. Não de uma forma prosélita, mas só para desabafar e para não dizer parvoíces eu mesmo. Sim que pelo lado do Sim também há muita parvoíce no ar e o melhor era estes ditos cujos estarem caladinhos. Mas como eu ia dizendo vieram, nos últimos dias uns senhores e umas senhoras defender que o aborto é um assassinato como os que  deliciavam Saddam Hussein nos seus tempos glórios , que é um assassinato praticado pela mãe sobre os seu filhos, que é um genocídio... haja decoro! Vão mas é pentear macacos (coitados que não têm culpa) e deixar de ofender a inteligência das pessoas e a vossa que parece pouco nutrida.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Antropologia e Eternidade

Morreu Mesquitela Lima. Augusto Mesquitela Lima. Foi meu professor, amigo e, apesar das profundas divergências, meu Mestre. Era "o mais velho" da Antropologia portuguesa.


Bom "trabalho de campo" entre os Eternos!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Globalização

Nos últimos tempos, temos vindo a verificar que imensos comentadores têm achado que o facto de terem saído do país imensos portugueses é revelador da cada vez menor capacidade do  país de reter os indígenas . A desnaturada pátria não consegue providenciar o sustento ( literal e cientifico-cultural ) empurrando os tristes portugueses para o longínquo, perigoso e adverso anti-regaço mátrio . Compara-se mesmo esta sangria à vivida nos anos 60 da era salazarenta (tantas saudades, não é?).


Ora estes comentários não seriam de estranhar se fossem elucubrações de serôdios saudosistas do velho ditador. Seriam desculpabilizantes de êxodos passados e iriam de encontro à linha de pensamento anti-cosmopolita do "orgulhosamente sós". São no entanto fervorosos defensores da globalização que têm vindo a pisar e repisar esta tecla do "novo êxodo" sem se aperceberem do absurdo de tal incompatibilidade e sem quaisquer tipo de rubor.


O estranho é que não saiam mais portugueses e não se instalem mais estrangeiros em Portugal. A globalização, em princípio tal suporia. Só que, e com o aplauso desses tais comentadores, a globalização é fantástica quando se tratam de mercadorias, serviços e fluxos financeiros. Quando se trata de pessoas, as coisas já não são tão claras e simples e há sempre um senão à porta das fronteiras.


Como vêem parece que até tem havido pouca emigração e pouca imigração por estas bandas tão abertas à globalização-que-todos-os-males-alivia ".

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Paradoxos da Moda ou Quem vai à Frente?




A moda avança aos saltos. Se assim não fosse (se se actualizasse em cadeia deslizando em vertente suave) ninguém se aperceberia que a moda tinha passado e que estava fora de moda. É por isso que a moda é cíclica. À boca-de-sino segue a calça-à-campino que segue a boca-de-sino; ao umbigo à mostra segue a "camisa-longa" que segue…  Como neste universo, ao contrário do que parece, a criatividade e a imaginação não são infinitas, vão-se buscar ideias novas a velhas modas e maquilha-se com pós-do-tempo. Temos assim a nova moda e podemos ver gente moderna a usar uns trapinhos romanos, ou góticos, ou hippies.
Por isso, quem anda na moda está mais longe de vir a estar na moda. O tempo que vem é o mergulho nos tempos de antanho. A vanguarda, a moda de ponta, está mais longe da moda futura do que os que, como eu, estão fora de moda. Quando a moda passa, fruto da autofagia dos aderentes, os fazedores da moda, para baralhar e fazer pairar no tempo os carentes ansiosos, atiram-nos para longínquos, aleatórios e anacrónicos buracos negros que os sugam até que a densidade interior (a moda) se aproxime da densidade do exterior amodal da multidão.







quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Untitled

 


 


                              Ornamentalmente menti


Curti


Aclamaram-me sem fim


Por fim, calaram-se.


 


Almas aladas por onde ides?


Nem Nietzsche nem Napoleão sem mão


Nem flores, nem tubarões (nem patrões).


 


Calaram-se e sorri


Amavelmente?!! Não sei, curti


E só penso em ti


Morri.


 


Aldrabões e protões e cavalos


Cavalos não. Ventoinhas.


Andorinhas.         Casinhas e … camisinhas.


 


Uma bomba atómica esperou-nos à saída.


Olá – rebentou.


 


Assim não há palavrões feios


Só estrelas e páginas em branco.


 

Na Lenta Imagem dos Dias

 


 


 


 


 Resvalo lentamente


Na escura lentidão


Dos corpos.


 


A caminhada áspera


Leva-me para longe


De mim,


Arrepiando as consciências


Moles dos transeuntes.


 


Deixo-me levar


Confuso


Na corrente instável


Da solidão.


 


Nos olhos despidos de luz


Recolho sementes apátridas.


 


Nem mais um dia


De sonhos.


 


Resvalo lentamente


Na lenta imagem


Dos dias.


 

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...