Eu gosto de imigrantes, e, já agora, também gosto de emigrantes. Gosto de movimento de pessoas. Não gosto de muros a separá-las. Por mim, todas as fronteiras deviam estar abertas, mesmo escancaradas. Claro que os migrantes teriam sempre que cumprir as leis dos espaços por onde se deslocam. Então viriam em massa, chegariam de todos os lados, e seriam, até, mais do que nós, e seria o caos, diriam alguns, vá lá, muitos. Bom. Em primeiro lugar, só abandona a sua terra, e sempre com sofrimento, quem não têm condições na sua (não vêm para Portugal imigrantes suíços, ou canadianos, ou japoneses), e procuram sempre países desenvolvidos. Por experiência de 40 anos de ensino, sendo professor de imensos filhos de imigrantes, constatei, com tristeza, que grande parte dos imigrantes usa Portugal como plataforma para conseguir emigrar para outro país, os tais mais ricos. Passam um dois anos em Portugal e, quando podem, lá vão para a Suécia, Bélgica, Inglaterra e outros que tais. Em segundo lugar, as pessoas só vão para lugares onde possam arranjar trabalho e, assim, melhorar a sua vida e a dos seus. Podem bem estar as fronteiras escancaradas que, se não houver trabalho, ninguém as cruza. Finalmente, e muitas mais explicações poderiam ser avançadas para não haver deslocações massivas para o nosso país, o mal estar, injustificado, nas comunidades de chegada, como são exemplo as vitórias eleitorais, e a força crescente, dos partidos de extema-direita, racistas e fascistóides, levam a um refluxo dos migrantes.
Dir-me-ão: mas, teoricamente, com fronteiras escancaradas todos os migrantes que quiserem podem entrar em Portugal. Podem, teoricamente, mas nunca na realidade. Também, teoricamente, todos os habitantes de Lisboa podem tentar apanhar o Alfa das 16.20 para o Porto. Podem, teoricamente, mas nunca na realidade.
Há quem lhe escorram lágrimas pela face quando vêem a festa do Senhor Santo Cristo na Califórnia, levada a cabo por emigrantes açorianos, quando ouvem povos do sudoeste asiático trautear um "malhão malhão ", deliram com as igrejas católicas em Goa ou Macau, com ruínas de fortalezas portuguesas na costa africana, ou, ainda, com os nomes nos mapas de Península do Labrador, Flores e estreito de Magalhães. Já quando se encontram com um sickh com a sua cabeça coberta, uma festa de Eid-al-Fitr, uma simples mesquita, ou um elefante chamado Ganesha, desorientam-se e tornam-se violentos como aimais selvagens.
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