terça-feira, 25 de outubro de 2011

executar o silêncio






Há sempre palavras que não expressam


Os dias finais, rompendo o tempo, errando


No lajedo das memórias, palavras


Imóveis na narrativa infinita do devir.


 


Abarcar as cicatrizes, escaldando


a carne, nomear as dúvidas


 e abandonar os afetos, nomear


os objetos que cumprem e preenchem


o vazio da multidão, reduz a rede seminal


a um labirinto oculto na consciência dos elementos.


 


Há palavras nunca ditas, criadas para


Executar o silêncio na nudez na pedra,


Espetro da linguagem nunca lavrada pelo fogo,


Consumindo as margens do sulco de Abel


Fecundado pelo sangue que o corpo liberta,


Inocentando Caim. Só palavras consumindo


A morte, absolvendo o assassino que emerge


Da natureza apologética, reescrevendo os


Pergaminhos do medo. Se a conversa aproximar


Os contadores de lendas, só restarão fragmentos


De palavras, ninguém recitará os tabus enquanto


Os procedimentos fatais da loucura se erguerem


No pano de fundo do teatro da vida.


 


Os assassinos vagueiam nos bastidores envolventes,


 Sussurram onomatopeias complexas, confirmando tudo


O que foi dito nas planícies intemporais. A ausência


Reflete-se na sinuosidade do texto esotérico,


Saudando a imortalidade do desejo. A eternidade


Não extingue as palavras que devoram a carne e


Recriam o espírito. O tempo não esconde a


Insolvência que perturba o futuro, o futuro


Mediador implacável entre sobreviventes


E assassinos, na contenda final.


 


MG  18/10/2011




sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...