Tenho lido centenas de análises e comentários sobre o resultado das últimas eleições legislativas, por parte de analistas de esquerda (os de direira não analisam nada: ganharam porque são melhores, talvez ungidos pelo divino). A maior parte bate na velha tecla das dificuldades do povo no dia a dia, dos direitos sociais e económicos perdidos com as políticas neoliberais, com o domínio dos órgãos de comunicação social pelos grandes grupos económicos, etc., etc., etc. A maior parte das vezes, estas discorrências apenas servem os discorrentes que, desta forma, ficam autossatisfeitos e satisfazem os seus consumidores, já consumidos. Ora este movimento em direção das mais obscuras e pantanosas direitas no limiar da legalidade, acontece em toda a Europa, e mesmo por todo o mundo onde há eleições. Nos países ricos, vejam-se os casos da Holanda, Suécia ou Finlândia, na complexa e desorientada Alemanha, e menos ricos, vide os latinos Itália, França ou Espanha. Portanto não há, na essência do problema, uma ligação causal entre níveis de vida e viragem à direita. Meus amigos, acontece que o simpático e ternurento povo é reacionário. O povo é, sempre foi, reacionário! E isso nem é mau nem é bom. Até funciona bem quando essa reacção sustem as movimentações radicais e extremistas de algumas franjas revolucionárias, de direita e de esquerda, mantendo o equilíbrio social das comunidades.
O mundo está em mudança acelerada e as redes sociais, mais a IA, que se interpenetram e confundem, estão a mudar as democracias. Com o algoritmo a cavalgar as arquetípicas forças que conduzem os homens, o medo, o ódio ao que é diferente, a vaidade, o egoísmo exacerbado, o sexismo machista, a menorização da mulher, e por aí fora (também existem, graças a deus, instintos "bons" na condução dos comportamentos humanos, mas, vá-se lá saber porquê, os manipuladores de algoritmos, logaritmos e cookies parecem não gostar lá muito deles...).
Como dizia o outro, habituem-se. Nestes tempos novos de redes sociais e IA, possivelmente, a esquerda nunca mais vai ganhar eleições. Eleições como as que foram inventadas nos países ocidentais em meados do século XIX.
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