Há dias em que os peixes se sentem melancólicos e nadam para trás, divergem dos caminhos que as algas sedosas lhes indicam. Não há maneira de os fazer voltar atrás. Os peixes não dormem e, portanto, não sabem dos sonhos dos homens nem dos deuses. Nadar é a sua vida e nadar para trás traz-lhes benefícios: podem ver com mais acuidade os anzóis que os pescadores de nada atiram às aguas transparentes da solidão. Se os peixes dormissem, nada no mar seria como é. O amor traria tristeza aos que se prendem demais à poesia.
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