segunda-feira, 3 de junho de 2024

As dores das árvores


 



Se soubéssemos entender os sinais do sofrimento das árvores, se lhe entendêssemos as dores, poderíamos também regressar sem receios às florestas da infância. Se os pássaros que as habitam alterassem o canto quando a dor lhes corroesse a seiva, e lhes esmagasse as folhas e os ramos, se o vento vergasse os seus pináculos como se os dias fossem diferentes doutros dias e o outono roubasse a roupagem de diversa e interna teatralidade, veríamos eternos, como a lava dos vulcões, o triste pulsar que releva do amor das criaturas e das viagens sem crepúsculo, rasga a crosta estéril do tempo.

Das figueiras só crescem folhas vastas para cobrir de sombra os figos.

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