quarta-feira, 15 de setembro de 2021

cacofonias


A verdade só existe na natureza. E mesmo aí… nem o penso logo existo de Descartes convence toda a gente. Numa sociedade liquefeita – à maneira de Zygmunt Bauman, a verdade e a mentira, e os eufemismos que as maquilham, vestem e travestem, deixaram de ter fronteiras nítidas e confundem, e fundem, as mentes de uma sociedade ávida de verdades e valores. Na liquidez pastosa do pântano social, são necessárias, como alimento vital, ilhas salvíficas para náufragos sociais desesperados.

Voltar atrás, aos valores e às simbologias bem desenhadas nas representações sociais dos transeuntes e refletidas nos comportamentos antropológicos, é a vontade de uma parte significativa da sociedade. Só que na História, os únicos que regressam ao passado são os… historiadores.



A classe média acabou, a burguesia está acantonada num gueto, desorientada e sem saber como de lá sair, as marcas e as novas vagas estão entregues a arrivistas doidos e jogadores compulsivos que se auto destroem (com gozo, diga-se de passagem). A efemeridade impõe-se e a logomania é uma quimera que se desfaz por entre as múltiplas nebulosidades. A cacofonia vai ser o padrão comunicativo...

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