terça-feira, 23 de março de 2021

tempestade

A tempestade é sempre a mesma, disse

O miúdo enquanto pescava um macaco

Do nariz arrebitado. Se assim fosse, como surgiria a bonança?

Questionou o triste e imprevisível capitão

Das naus pousadas no mar.

Os trovões ribombaram ecoando

Nas previsões dos videntes acocorados

Na espuma das tardes sem crepúsculo,

No abismo da noite inatingível.

A criança, que a interpretação dos sonhos regia,

olhou demoradamente a tempestade, a particularidade

de alguns elementos, e retorquiu, talvez

sem deixar transbordar a doçura das folhas das árvores.

Nada é mais impreciso do que pensar

Que a bonança vem no fim das tempestades,

A quietude participa do que de mais essencial

Prevalece nas indomáveis revoluções

Dos abismos entrópicos.

Mesmo quando a tua alegria não conhece

Os estilhaços da dor.

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