terça-feira, 28 de junho de 2011

uma pedra desatenta e fria




 


Era uma pedra dessas


Desatentas e frias


Dando conta das transferências


Suspeitas do que acontecia


Na planície em fogo destruída


Pelos momentos contidos


Que o medo anunciava.


Dessas sentadas na ordem


Eventual e permanente, no


Inexplicável esquecimento


Reduzido aos arguidos que


Encomendam as lágrimas.


À sua volta tudo mexia:


o pó, a areia, os entes


Que por si se deslocavam,


As árvores esparsas


Tudo se movimentava


Insensível à constância


Da pedra.


Alguns, raros, tropeçavam


Na pedra e interrompiam


A corrente dos que desfilavam


No plasma incontinente.


A gramática da pedra não


Exige compreensão profunda:


uma pedra resiste à análise da sua alma,


Da essência  onde repousa


O entendível. O que resta


Induz o turbilhão e a


Mudança nos fluxos envolventes.


Para o entendimento


Da correnteza é preciso parar.


Na inércia contemplamos


A mudança e abrangemos


Os elementos que se arrastam


Nos atritos que cicatrizam a pele,


As peles diversas que vestem


Os incaracterísticos materiais,


As coisas que flutuam no nada.


No algo que se confunde com


O nada aspergindo o todo


Que projeta e comporta o sonho.


Tropeçar na pedra é um


Jogo de azar que o tempo


Corporiza no pesadelo paradoxal.


Era uma pedra dessas


Desatenta e fria…

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