segunda-feira, 18 de abril de 2011

eu sou a sombra do vento


Eu sou a sombra do vento,


a silhueta das almas que penetram


a caverna onde repousas os dias


sem retorno. Eu renasço


nos teus lábios quando


a  loucura se esconde no reflexo


do espelho acorrentado, renasço


para morrer em seguida no teu olhar.


Olhar que ampara a dor dos momentos


calados, inerte complexidade da rebeldia


projetada na parede turva do esquecimento.


Eu sou a morte que caminha


ao encontro dos sentimentos que se levantam


na planície instável, ao encontro


dos outros que emergem da noite


e espalham o medo na nostalgia dos incautos.


As tuas mãos afagam-me o cabelo sinuoso


e acalmam a podridão que escorre das pedras.


Só assim se compreende a inquietude das bocas


moribundas, escancaradas na exaustão


das fraturas reverberando o sexo encantatório.


Eu cubro a pele que me recebe pulsando


nas calmarias do pesadelo de sangue, espojo-me


no suor erótico das membranas latejantes


atingindo orgasmos irretletidos.


No barco em que navego ao encontro


das janelas da alma diviso o murmúrio


 dos vagabundos que se aventuram


nos campos ébrios da batalha sem fim,


imprimo os passos que lavram os planos


divergentes da memória coletiva.


Eu sou a sombra do vento e ardo


nas tuas coxas voláteis.


 


Cativa 10/4/2011

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...