quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Larva Semiótica

 


 


 


 Escreves como um profeta ateu


Sem direcção absoluta.


Linhas tortas que entoam


Sinaléticas mortais.


 


Escreves contra a coragem dos alinhados


Contra os que dizem sim


Não sabendo o que é ser livre.


Contra tudo, sem paz


E atabalhoadamente simples.


 


Escreves como serpente na terra leve.


Não há truques


Sorves a animalidade dos restos


Hipnóticos dos muros envolventes.


 


Escreves palavras, sons malditos


Que verberam as mentes sábias


Palavras uivantes na chuva irradiante


Uma escola sem aprendizagem


Na lenta escuridão dos séculos


Larva semiótica na pele quebradiça,


Nas dunas prenhes


Do sedimento vital e cru.


 


Escreves ao sabor das correntes sem dor


Dos cômoros de pólvora lavrada


Num fim de tarde na esplanada fria.


 


Escreves no sonho, antes do pesadelo


Na cruenta noite do sexo


Encantando sílabas pessoais e impróprias


Revelando saltos no texto infinito.


 

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