segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Paradoxos da Moda ou Quem vai à Frente?
A moda avança aos saltos. Se assim não fosse (se se actualizasse em cadeia deslizando em vertente suave) ninguém se aperceberia que a moda tinha passado e que estava fora de moda. É por isso que a moda é cíclica. À boca-de-sino segue a calça-à-campino que segue a boca-de-sino; ao umbigo à mostra segue a "camisa-longa" que segue… Como neste universo, ao contrário do que parece, a criatividade e a imaginação não são infinitas, vão-se buscar ideias novas a velhas modas e maquilha-se com pós-do-tempo. Temos assim a nova moda e podemos ver gente moderna a usar uns trapinhos romanos, ou góticos, ou hippies.
Por isso, quem anda na moda está mais longe de vir a estar na moda. O tempo que vem é o mergulho nos tempos de antanho. A vanguarda, a moda de ponta, está mais longe da moda futura do que os que, como eu, estão fora de moda. Quando a moda passa, fruto da autofagia dos aderentes, os fazedores da moda, para baralhar e fazer pairar no tempo os carentes ansiosos, atiram-nos para longínquos, aleatórios e anacrónicos buracos negros que os sugam até que a densidade interior (a moda) se aproxime da densidade do exterior amodal da multidão.
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