sexta-feira, 27 de outubro de 2006

O Recado


 


 


O teu recado não chegou até mim


Não vou esperar mais, tenho fome


De me inscrever nos raros diálogos da espera


O teu recado pode vir sereno e criptado ,


Comovente e absoluto de emoção


Não vou esperar mais, tenho sede.


 


Os muros que te envolvem agridem as minhas insuficiências


Ampliadas pelos ventos em que flutuas


 Incompreendidas nos sentidos inquietos.


A espera revela-se unívoca


Rasgando o corpo carente e sombrio


Abandonado no ventre da solidão


Puída na triangulação divina dos entes inacabados.


 


O teu recado nunca chegou até mim


Não vou esperar mais, tenho ganas de viver.

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