Um estudo recente, no país do costume, contabilizou
Quatro mil duzentos e setenta e três poetas,
Pesquisa que nunca revelou os seus insondáveis
Métodos ou amostras, por esotérica
Sustentabilidade, avançou, ainda, com um número
De leitores de poesia que se aproximaria
Dos dois mil e treze. Destas duas mil e treze estranhas
criaturas, mil e trinta e duas nunca em tempo
algum escrevera um verso.
A dar o referido estudo como idóneo, perdão, sério!,
E exemplificativo da realidade nesse país, e nada me indica o contrário,
(era uma vez um país de poetas tal como O Burkina Fasso, o Canadá, a Tailândia ou o longínquo e feliz Butão, onde reinava um poeta-Mor entre súbditos fiéis heterónimos de Si mesmo)
4273
- 2013
= 2260
+ 1032
= porra para a matemática que já fiz e refiz as contas vezes sem conta, dizia, 3292 poetas não leem poesia.
Escrevem sem ler versos.
Meus caros poetas, leitores de poesia
Que não são poetas e poetas que não são leitores de poesia,
E poetas que não são leitores de nada,
E, ainda, gentes que nada lê, que esses são todos
Os seres que, como Diógenes, seguem
A luz que transportam, não vos admireis
Desta desajustada ocorrência: eu próprio, poeta aclamado e medalhado,
Por certos e incertos, só leio romances.
O romance comporta tudo! A escrita e a vida, a realidade e a fantasia.
E a morte. Nada exclui ou estigmatiza. A contrário da poesia
Que se arroja a representar a palavra eleita.
Sublime e divinal.
P.S. Por impossibilidade na abordagem estatística aos poetas que nunca escreveram um verso, estes não são referidos neste estudo. No entanto, sabendo nós, de verdade verdadinha, que cerca de 10% dos poetas está nesta condição, isto viria a acrescentar ao número de poetas uns 427. O que, digamos de passagem, ainda é um número significativo de poetas. Destes, é claro, nunca saberemos se lerão poesia ou não. Alguns, e talvez dos melhores, nem saberão ler.
PS1. É também uma verdade que os cães mijam aos postes dos candeeiros da rua e que estes não foram feitos para isso.
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