terça-feira, 1 de abril de 2025

Iguarias imponentes


A culpa é uma invenção das religiões para refrear o desejo. O escrutínio do indivíduo que pensa que age de forma errada porque a sociedade lhe impõe um roteiro de possibilidades já testadas e avaliadas. Ser livre é andar a tatear na escuridão e cair nuns buracos ao acaso e embater em muros que nos conduzem a outros buracos e a outras paredes e a subir e descer vertentes de toda a espécie, voltear e recuar avançar sem saber se, afinal, recuas no espaço e no tempo ou na memória. Ser livre vem a dar no mesmo do que seguir o roteiro determinado: evitando-te, porém, este último, tanta volta e revolta e perda de energia e tempo. Por isso, a escolha torna-se fácil e, tão frequentemente, a mesma de tantos. E a culpa acompanha-nos, oferecendo a quem passa o generoso amparo dos deuses.



A energia que os anima é a mesma os devora.

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