Procura sem a ânsia
de seres grande, procura sem cessar
o que não entendes.
O que não precisas. As sementes dos santos.
Levanta-te ao encontro da solidão honesta
e vã, desenha em ti a podridão do novo
como como se tudo emergisse
das ideias confusas da singularidade,
dos caminhos já trilhados
por outros, da cegueira obscena
e sôfrega de sangue virginal.
O que encontramos são murmúrios
só entendíveis a iniciados nas longas
procissões de vagabundos
à procura
das areias escaldantes, da nauseabunda e escarlate
mãe de todas as dores. As dores que apoquentam os mortos.
Murmúrios conspirativos renegando o passado
perdido atrás de paredes transparentes,
o oculto transgressor rompendo
o discurso básico dos profetas. Enigma
de antanho onde a memória
emerge dos pés mergulhados em cerimónias
do esquecimento, escaldantes, brasas rasgando as vestes
dos risos alarves, xamânicos, onde os rostos
de cadáveres orgulhosos são possuídos
pelo medo convulso das tardes. Procura os que te
arrastam até ao fim das sombras do desejo.
Monte Gordo, 3-11-2016
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