segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

um dia comum na circulação dos pássaros


 


Era um dia comum como se chovesse todos os dias,


Um dia que começara a feder a peixe frito, espada para ser sincero.


Na manhã, deste dia comum, o vento levantara-se espesso e os


Olhos lacrimejantes ousaram contrariar a melancolia dominante.


Quantos dias comuns restarão até ao fim dos meus dias? Ora!,


Se descontar da minha vida os dias extraordinários, poderei


Contabilizar os dias comuns, respondi, irresponsavelmente, à questão formulada.


Nada de mais errado, reconsiderei atirando o olhar até ao fim


Da sandes de fiambre sobre a mesa. A nossa vida nunca


Poderá ser a soma dos dias acorrentados aos nossos joanetes.


Por exemplo: o que ocorre quando o sonho irrompe a realidade?


Eh, pá!, pareces Sócrates! Tantas questões para quê?, pergunto


Eu sem desapertar os botões da braguilha resistente. A vida, é


A vida e um animal precisa apenas de sexo e morte, de um embriagar


A dor que nos rodeia o tempo, os dias que se arrastam na inclemência


Dos precipícios romanceados, ardendo na complexa sofreguidão


Das madrugadas sem fim. Há pessoas que reclamam ser peixes


Prateados brilhando na noite por semear, libertando


Bolhas de escárnio, sem consciência e soluçando pérolas


Fabricadas em folhas de repolho. Os vermes que se alimentam


Do sofrimento das vozes esburacadas alinham com outros


Comedores de deuses, cambaleando na estrada que acompanha


As margens do rio impossível. São sósias emergentes que corroem


Os sorrisos das crianças e as cáries dos velhos.


Como vês, os vermes vivem no seio dos dias excecionais


E controlam a circulação dos pássaros, enquanto


Vigiam a multidão alcoolizada pela emergência dos dias comuns.


A vida não é um corredor sem fundo conflituando com


Os vermes excecionais.


 


Vrsa, 13/12/11


 


 

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