domingo, 20 de novembro de 2011

não recomeces a noite fria


 


 


 


Quando dizes que a fragilidade


Do regresso é uma contingência adversa


Na interioridade da memória, uma caravana


De carcaças mutiladas pingando sangue


Na estrada que leva ao nada, talvez saibas


Ficcionar o entusiasmo da palavra Não.


- És a encarnação inerente ao que nunca


Rejeitará as raízes ocultas da impossibilidade,


Lembras, ajustando as palavras ao único


Perigo que resgata os sentimentos nómadas


Das irremediáveis finitudes convulsas da solidão.


Quando dizes Não, descobres a imperativa


Vontade dos cataclismos vitais, desocultas


A noite enquanto nas cidades adjacentes


Se revoltam escravos convertidos ao hierofânico


Rasgar da pele em cicatrizes de sonho e melancolia.


O profundo escarificar da superfície do medo


Reflete o ódio que a inclinação da maresia


Transforma em negação no interior do


Sentimento devassado.


Não!, a insolvência que grita nos hiatos da sombra


Não progride nos caminhos incompletos dos teus passos.


Erras na substância que se apodera dos extensos


Humores na planície escalavrada. Dizes que a maldição


Asperge os dias e transformas o olhar num


Súbito recriar da ilusão. Dizes Não ao Não quando


Penetras no frio das calmarias labirínticas de antanho.


Voltas atrás e o recomeço abraça os limites


Alucinogénicos que bordejam a insondável


Alegria da morte.


 


Monte Gordo,  15 de Novembro de 2011


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