segunda-feira, 12 de setembro de 2011

celebração das águas


 


No início, repetia-se o frio


das águas, a profundidade do sonho


que regride na existência adiada.


A superfície da substância, o medo


que invoca a escuridão profunda,


asperge de crueldade a lágrima


divergente. A escuridão profunda


reflete-se no olhar das coisas num bailado


de desejo metafísico, intervenção cruel


nos socalcos efémeros da consciência encriptada.


No início, o fogo não aquece a memória


das águas. A terra regurgita a diversidade


dos materiais que agonizam nas entranhas


convulsas, liberta-os na planície lavrada


onde a tempestade suspende a caminhada


dos elementos, cumprindo a autoridade


que se desprende das cicatrizes da linguagem.


No início, a pedra conforta a incomodidade


das águas, inventa a gregaridade das almas


nos círculos da noite, brutalizando os estudos


soturnos, emancipação dos corpos


que implodem no desejo das águas.


Por fim, da celebração do mito, surge


a necessidade de encontrar a convalescente


argumentação do herói-com-sapatos-de-barro.                             Vrsa 12-11-11

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