quarta-feira, 20 de julho de 2011

espuma evanescente


 


Quando não falam em ti, apodreces.


Os dias passam e ocultas-te


Na pequenez da solidão que ensombra


As palavras indiferentes.


A quem interessa a estrofe sem leitor,


A porta escancarada na parede esburacada?


Lembra-te do tempo sussurrado,


Indiferente, revolvendo a terra húmida


Onde latejam vermes inconfundíveis


Que fecundam as trevas. Ninguém 


 navega sem conseguir entender as correntes


Que conduzem o devir. Ninguém se


Desconstrói quando o corpo resvala


Na ladeira que se ergue ante ti.


As ladeiras só existem na tua


Cabeça e o que procuras não está


Do outro lado da vida. Está aqui,


Junto às tuas mãos!


A outra margem só existe na penumbra


Do crepúsculo e mesmo assim


 Só a acedes enquanto espuma


Evanescente. Espuma que encanta


Os que nunca se encontraram mesmo


Quando habitam vontades semelhantes


E percorrem veredas paralelas. Quando


Os olhares divergem do que realizas e és,


Da esteira difusa que cobre o passado


A que não podes voltar, reages


Como se a dor fosse uma impossibilidade


De regresso aos campos de restolho onde


O sexo convoca a inocência nas contendas


Do susto e do medo.


A ausência transforma-se num colapso de desejo,


Numa inusitada falência da vontade em


Penetrar o silêncio da realidade sarcástica.


O significado do ato envolve o que rejeita


A perplexidade, apodrece no tempo,


Na perdição que naufraga na escuridão e


Responde ao ego ausente.


Debaixo das nuvens moram os que não sabem saltar


Ao eixo nas noites eternas.


 


MG 14/06/2011

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...