terça-feira, 11 de janeiro de 2011

filigrana da tecedeira


Anselm Kiefer


 


no primeiro despertar da sombra/ instalou-se um pesado silêncio/ nos socalcos da memória/ uma clara escritura invadindo/ os sedimentos frios do esquecimento.


todos os insetos da floresta/ sublinharam os nomes que fermentam/ no vazio do plural abstrato,/ a inveja necessária e vã apenas/ excetua os escaravelhos dormentes,/ companheiros dos aldeãos lilases,/ répteis no papel de ourives/ desenhando a filigrana da pele/ nas luzes copiadas e biformes./ é nesse momento que entram as máscaras/ retiradas da gaveta em flexões/ para assistir à partida das frases/ assassinas do covil dos ananases.


um homem comprou um jornal/ por um dólar e o capitão foi almoçar/ com o general. todos os nomes/ verdes e esquisitos almoçaram à parte/ na esteira que confundia a parcialidade/ do chão plural.


o capitão, órfão dos lilases incompletos,/ virou a folha do livro e o barril/ de pólvora iniciou a invenção que a mulher-aranha/ apresentou na noite confusa.


o general barrava o pão com chocolate/ todos os nomes e cada um deles/ desapareceram da frase registada/ na pele da tecedeira,/ tatuagem de bigode ornamentando a boca de vidro.


um moço e uma mulher saltaram o muro/ na ruela vazia para uma/


ilha fantástica na periferia do carnaval enquanto/ embrulham presentes em papel de fogo.


quando a personalidade do assassino/ foi desvendada todos, insetos, homens,/ mulheres e vegetais comungaram do/ ressentimento paradigmático...


não há perguntas difíceis, só convites/ exclusivos par dançar/ o silêncio da sombra.

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