terça-feira, 2 de novembro de 2010

carne inimputável


À carne inimputável acrescento o pavor


que a poeira confunde nas respostas


assexuadas da dor.


Não respondo pela loucura  que se liberta


do desejo intruso  rastejando na pele inflamada e cruel


nas imagens que projeto no vento irascível


deriva que alberga e peia as máscaras reclusas.


O ruído ondula na praia, no mar que se recusa a controlar


a memória convulsa, reverberação  carnal que inverte o desejo


e esmaga o conforto do regresso aos ditames


primordiais,  inertes angustiados gemendo nos lábios cerrados


rompendo a humidade do sexo, garantindo a imputabilidade


do homem que acordou do sonho antigo


provocação da vida intermitente.


Partilho o projeto de segredo onde a nudez


da narrativa resgata a aura paralela do vazio


eterno da criação


frase de ontem ao encontro da noite, procura da pedra


emersa na pradaria apocalíptica


futuro próximo da visão armadilhada.


A carnificina a que me proponho assistir


arrastará as almas até ao êxodo final, descobertas,  restarão


pasto dos abutres do espírito ensanguentado.


 


(Monte Gordo () 2/11/2010)

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