Piso os paralelepípedos da rua molhada pela humidade vigente
Na esquina da anterior profusão de loucura, invento o entendimento
Possível com a escrita que se desembaraça dos outros cosmos
Sentindo a separação indomável, grito do resto da noite que caminha
Até ao fim da rua onde começa a plenitude do restolho húmido e mole
Do Inverno que se avizinha a jogar dados num gozo, numa futilidade
Que faz milagres nas ruas encantadas por físicos e outros mágicos revisitados
No ridículo de uma pedra saída do lugar na calçada luzidia, parando
A vontade dos que construíram a rua sem fim, publicando, simultaneamente, o decreto
Da interdição de parar.
Menos um entrave, diriam os hagiógrafos do local oculto onde se repetem
As existências do real. Assuntos frívolos sem sentido intelectual, beleza que consiste
Na insolvência da poesia erótica. Coisa assim, ou sim sim, no foder incontrolado, apascenta
Os queridos caçadores de pseudodesenhos futuros, animação em plasticina, felicidade
Na ponta da piça, que serão os detentores do nosso voto: o futuro agora!
A propósito, amo pontos de exclamação, uma descoberta genial
Sem escolha, uma figura de cabeça para baixo na sombra das palavras. Pão e circo, orgia Romana, sombra, sombra ardente decifrando os quase famosos.
O futuro é agora! Vamos baixar as conquilhas experimentais da autocrítica. Baixá-las
Até a dor rasgar a genitalidade das criaturas emancebadas. Não há duas sem três, nem três sem outra vez.
Mais liberdade é um silêncio colectivo participando na instalação poética que divulga o halo
Anónimo de outras páginas. Do estertor da outra margem.
Caminho na rua molhada e resvalo na procissão dos que procuram a claridade da sombra.
Monte Gordo
11/10/2010
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