quinta-feira, 20 de maio de 2010

poemas do banco de trás, na rua


 


Saiu hoje para a rua. Debruce-se para dentro de nós e entre para o banco de trás. Venha respirar o futuro.


 


 


quando inclino o corpo


 


 


Quando inclino o corpo para a lentidão


redonda dos teus seios, vejo atentamente


que ainda não respiro o futuro.Sabes,


o pólen cai na boca dos que abrem


o silêncio. Sobra talvez uma fuligem em


cada pulso, levanta-se um leve vento,


mas os dias animados sequer encolhem


quando enlouqueces com as tuas baças


unhas amarelas...


 


Não é assim a casa desta manhã quando


os pintassilgos folheiam os cardos, e a cama


é devagar ao lado duma fogueira desmaiada.


As cabeças estremecem um pouco no


regresso do sol das dunas, há um navio


que deambula ainda no corpo, na exígua


memória duma guitarra e outras cordas e peixes.


Sim, alguém se debruça para dentro de nós,


quer sacudir a profunda alegria de sermos


uma realidade com sonho aberto...


 


Todavia temos os castelos que inventámos


após o murmúrio dos pinheiros altos, onde


guardámos as amoras, os medronhos


secos. Bebemos agora a água que resta


doutro vinho, proclamamos a prenhe volição,


a visceral palavra, e embora com uma ramela


a descansar em qualquer labirinto disponível


somos um carrossel de emoções descobrindo


aquilo que pressagiámos durante a vária


areia. Inclinamos o corpo e vemos atentamente


que ainda não respiramos o futuro...


 


Rui Dias Simão, Maio de  2010, edições CATIVA.


 


À venda neste modesto estabelecimento pela módica quantia de 7,5 euros (+ envio).

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