quinta-feira, 4 de março de 2010

a hipocrisia da eternidade


Paulo Serra


 


trago nas mãos os rostos rasgados dos tempos


histórias de ruas que desembocam na escuridão dos corpos


esmagando a ossatura divergente das eras nupciais


prenúncio da conflitualidade latente nos arquétipos sinais da lonjura


 


nas mãos mergulho a idade do medo comunitário


contexto manipulador na volúpia dos sentimentos virtuais


nas mãos recolho a inutilidade da passagem das horas


confundo a realidade tornada maresia


sussurrando sobejos de poemas onde repousam


murmúrios da noite edipiana, vestígio


desassossegado de eros arrancando o sexo


às criaturas ambulantes que adormecem nas perplexidades


nos paralelepípedos do sono


 


Eram mãos representando a primeva ereção humana


mãos semi-afundadas no ego das plantas por parir


na pendente hipocrisia da eternidade.

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