quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

a vida e a vidinha





 


 


Esta foi a primeira música que aprendi a tocar na viola. Foi meu mestre o meu amigo "ratinho" Luís (saravá Braga). Era o celebérrimo ano de 1974 e estávamos em Portalegre a meio de uma visita de finalistas (o antigo 5º ano).


Não sei porquê, hoje ao encontrá-la num blogue, veio-me à cabeça a poesia de  Miguel Godinho e das suas divagações metafísicas por entre os tortuosos caminhos da vida e da vidinha.


 


Ao anoitecer, na mansidão da memória,

é mais fácil transpor a fronteira.

No revolver dos sonhos,

a claridade das ilusões, e a certeza:

tudo se torna evidente ao cair do dia,

quando nos perdemos no tempo

e temos dezoito, outra vez

e temos cinquenta, ou cem,

mas temos dezoito, outra vez.

De que importa a solidão de agora

quando a noite assim traz

de volta a loucura,

quando nos apercebemos que não há idades

para nos sentirmos vivos


 


Miguel Godinho

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