segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

bocados de carta


 


Estou a jogar à sueca na praia


eu e mais dois freaks


às vezes vou mijar por causa da cerveja


sinto-me mal


podia sentir-me pior


há sempre um barco com pescadores a esperar pela solidão


enquanto nós sorrimos


ás vezes penso que já fui campeão de dados do Algarve


(em, creio, 1937)


 


Dói-me não estar contigo mas o que me dói mais é não estar


comigo quando não estou contigo


um alemão atirou-me uma batata (agora sei que cozida) à cabeça


quantas tendas na minha cabeça


dói-me o (ainda) não te poder                                                                                beijar


compreendes o que é não te poder acariciar? ( com certeza não...)


 


Enrolo sem saber. Um cão acariciou-me os pés.


Adoro-te


é terrível, é difícil o coração sentir-se em liberdade


por isso sinto vontade de chorar de mansinho. Sim de mansinho


porque não gosto de esperar conselhos (talvez carícias) dos outros.


 


Espera, a luz do Sol está a corromper o mar


vês os meus olhos a correr por entre as dunas


não?


 


Para mim é sempre triste sonhar os pesadelos dos outros


mas para quê espremer cebolas nos olhos


não basta o voar das gaivotas cabisbaixas?


 


Quero estar contigo sempre e os desejos são sempre


pássaros de cabeça enterrada no mar. levanto-me


ao som de três espingardas sem balas.


O planeta (que é o meu) parece morrer


as galinhas parecem rejeitar crocodilos já rejeitados.


 


Para a semana vou (envol) ver-te, até lá pensa


em tudo o que é a nossa capacidade de gostar um do outro


 


um beijinho (talvez sem sentido) do eu.


 


PS: escrito há mais de 25 anos por um jovem perdidamente apaixonado.

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