segunda-feira, 20 de julho de 2009

O Silêncio dos Afectos


 


O sono paralisa a calma da noite. Paralisa a confluência dos passos na lenta progressão do calendário irreflectido quando gemes nos lençóis periféricos. Enquanto o prazer se esvai nas carnes reflexas e me recusas a humidade inconformada do sexo, ratificas o silêncio dos afectos, o vazio que me enche as apocalípticas memórias, as profundas fracturas rasgando desejos paranóicos que sucumbem no clamor dos instintos liquefeitos.


Quando a boca entreaberta revela a confusão das iniquidades das entranhas no enrugamento periférico do leito encharcado das humidades dos corpos, agarro a luminosidade das nádegas abandonadas, percorro a ausência que se instala entre nós. Uma ausência sem limites onde, por vezes, a multidão irrompe.


Quando o sono envolve a luz convulsa que emerge da carne insaciável, inicio a estrada fetal que me transporta a casa, onde renascerei sem ti.


 


 


(versão para poetas chalados - desculpem-me a redundância)


 


O sono paralisa a calma da noite


paralisa a confluência dos passos


na lenta progressão do calendário irreflectido


quando gemes nos lençóis periféricos


enquanto o prazer se esvai nas carnes reflexas


e me recusas a humidade inconformada


do sexo


ratificas o silêncio dos afectos,


o vazio que me enche as apocalípticas


memórias, as profundas fracturas rasgando desejos paranóicos


que sucumbem no clamor dos instintos liquefeitos.


Quando a boca entreaberta revela


a confusão das iniquidades das entranhas


no enrugamento periférico do leito


encharcado das humidades dos corpos,


agarro a luminosidade das nádegas


abandonadas,


percorro a ausência que se instala entre nós.


Uma ausência sem limites onde,


por vezes, a multidão irrompe


quando o sono envolve a luz


convulsa que emerge da carne insaciável


inicio a estrada fetal que me transporta a casa


onde renascerei sem ti.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...