terça-feira, 2 de junho de 2009

e tu não cruzas a ponte


 


Esplanada deserta                                                            e eu


Vénus sobre a cidade                                                        e tu


a espreitar por trás da consciência


 


Um martini


com gelo e limão, só limão


 


Um euro e cinquenta


e um leve almareio


 


A cidade cresce das mesas até


às ameias onde espreita a noite


e tu não esperas por um ser


sentado na esplanada deserta                                          e eu


 


O rio passa por baixo


de Vénus e tu não cruzas a ponte                                      e eu


espero na esplanada deserta


 


Um euro e cinquenta


de vinho escarlate antes de jantar


para amaciar o tempo


 


A calçada rejubila, lisa,  nos milhões


de anos das pedras cansadas


 


E se não apareceres no canto da esplanada


onde se calam as aptidões inconfessáveis?


 


Beberei outro martini?


 


Com limão, caravela na solidão embaciada?


 


O empregado conhece-me


e convida-me a entrar


 


A noite é fria


e o silêncio embaraçoso.


 


Recuso o amparo do balcão


gasto em  noites e dias sem  nexo


por sedimentos de emoção carenciada


 


Quando chegas, a embriaguez


aprofunda a realidade ficcionada.


 


Os lábios tocam-se e vou para casa jantar.


 


 


 

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