Esplanada deserta e eu
Vénus sobre a cidade e tu
a espreitar por trás da consciência
Um martini
com gelo e limão, só limão
Um euro e cinquenta
e um leve almareio
A cidade cresce das mesas até
às ameias onde espreita a noite
e tu não esperas por um ser
sentado na esplanada deserta e eu
O rio passa por baixo
de Vénus e tu não cruzas a ponte e eu
espero na esplanada deserta
Um euro e cinquenta
de vinho escarlate antes de jantar
para amaciar o tempo
A calçada rejubila, lisa, nos milhões
de anos das pedras cansadas
E se não apareceres no canto da esplanada
onde se calam as aptidões inconfessáveis?
Beberei outro martini?
Com limão, caravela na solidão embaciada?
O empregado conhece-me
e convida-me a entrar
A noite é fria
e o silêncio embaraçoso.
Recuso o amparo do balcão
gasto em noites e dias sem nexo
por sedimentos de emoção carenciada
Quando chegas, a embriaguez
aprofunda a realidade ficcionada.
Os lábios tocam-se e vou para casa jantar.
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