quarta-feira, 8 de abril de 2009

Do Santo Matrimónio


Ando, já há que tempos, para escrever sobre o assunto. Agora que ele se eclipsou e desapareceu da ordem do dia, aí vai: casamento ... entre pessoas do mesmo sexo. E já agora adopção pelos referidos casais.


 


1 - Sou completamente a favor do  casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sou ainda a favor dos casamentos poligâmicos/poliândricos e dos casamentos incestuosos. Ou seja sou a favor do casamento entre pessoas que o queiram. Entre pessoas livres, autónomas e na posse das suas faculdades mentais, todas as formas de casamento são dignas e aceitáveis. A lei tem de ser igual para todos.


Aliás, só não sou a favor do casamento entre um homem (ou uma mulher) e uma formiga, porque nunca esta  poderia dar o seu consentimento na contratualização.


Quando digo que sou a favor, não digo que acho que as pessoas devam casar. Aliás acho precisamente o contrário. Mas se a lei permite a alguns, tem que o consentir a todos. No meu caso, que  vivo há 25 anos com a mesma mulher, nunca senti necessidade de me casar. No entanto, se me fosse vedada esta possibilidade, seria dos primeiros a vir para a rua exigir os meus direitos ao casamento para... não me casar.


 


2 - Quanto à adopção por casais do mesmo sexo, sem ter as certezas que tenho quanto ao ponto 1 (será por ser um devoto de Freud?), sou também a favor. E bastava-me para isso o conhecimento dos maus tratos que casais heterossexuais (os tais ditos normais) exercem sobre os seus filhos. Portanto os casais homossexuais constituídos por gente equilibrada, de bom senso, afectivos e apaixonados (gente normal, diria) serão sempre melhores pais do que os primeiros.


 


3- Em relação aos casamentos polígamos não estou em querer que, nas sociedades ocidentais, tivessem muito significado.


No que diz respeito aos casamentos incestuosos penso que seriam sempre hiper minoritários, até porque o nosso grande Claude Levi Strauss nos ensinou que o tabu do incesto está na génese da cultura.


No entanto se a vontade livremente expressa das pessoas fosse essa não vejo como poderíamos exclui-los do direito ao casamento.

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