sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

começo a escrever a palavra que me despe


 


Começo a escrever a palavra que me despe

do hálito da meia-noite deste frio

(acanhado sem mãos)

entre outras coisas de ver apenas poucas vezes...

Começo a escrever uma lua sonora dentro do peito

agora peneirada das abrangentes fuligens

ao acender-se um lume vivo quando te aproximas

estranhamente coadunável...

Vens?...

Grito caladamente para a noite

para a multicor indecência do escuro

mas não direi desta noite sua sombra

de meu ego pior

(Não começo a escrever)


 


 


Rui Dias Simão - Os Animais da Cabeça

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