sábado, 6 de dezembro de 2008

os animais da cabeça II

 



 


(Percebendo quase tudo adjacente

a Mário de Sá-Carneiro)


 




O animal doméstico engorda

a cada passo de esfregona

assexuado como um carrossel

na cabeça

um pequeníssimo sol

mal respira

por muito que aponte

não há céu provável

no horizonte

O animal doméstico

é um pequeno homem

O animal doméstico

sou eu

E eu sou eu e sou o outro...

(imaginai o que não teria para aguar

o benfazejo Bivar no dia seguinte

à demorada proliferação de poetas)

Durante a genética moralidade

por vezes

a portugalidade dói


 


Rui Dias Simão


 

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