terça-feira, 11 de novembro de 2008

As prepotentes palavras

 



Luís Feito Lopez


 


Na carne enxuta


um cravo rasga a sedimentação brutal dos sentimentos


revolve as águas na aluvião do desejo amovível


 


Das prepotentes palavras


esquecidas


dos odores intensos da lama


desordenada


da gangrena, dos solavancos da carne,


pingam líquidos que constroem


estalagmites de medo


petrificam os perplexos louvores da memória


o tumor que envolve


amnioticamente a maresia


tornou-se o corpo são onde chapinham as ilusões


incompletas,


sóbrias e descalças


 


Um corpo entumescido


de vibrações inertes que borbulham


ao encontro da eternidade

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...