domingo, 7 de setembro de 2008

Ópera e alfarrobas


 


 


A ópera ecoa no pomar saindo da antena 2, do rádio da Ford Ranger. Continuo a minha saga de apanhador de alfarrobas. Agora quase só ao fim de semana que o trabalho principal ( o que me dá o pãozinho) já recomeçou. Nesta fase da apanha estou na zona mais sensível. Num pomar que eu próprio plantei: charruei a terra, marquei compassos e linhas, abri covas, plantei as arvorezinhas, reguei nos 3 primeiros verões, podei regularmente, e amei-as muito. Só não as enxertei porque o engenho e a arte não o permitiram. Uma delas é muito especial. Foi o meu pai que a semeou num vaso e tratou nos primeiros anos. Quando ele morreu, transplantei-a. Foi a primeira alfarrobeira da primeira fila deste meu  projecto. Um vizinho, a quem emprestava o tractor, e como compensação me lavrava o pomar, ainda lhe meteu um disco da grade pelo tronco adentro. Sobreviveu e é hoje a mais distinta e formosa alfarrobeira do pomar. O amor faz milagres...


De vez em quando, vou à pick-up fumar um cigarro deitado na caixa da viatura,  enquanto as vozes percorrem as alamedas da memória. Neste trabalho duro e solitário (ainda convidei o pessoal lá de casa para me acompanharem,  mas outros valores mais altos se alevantaram) a ópera opera ( desculpem-me o trocadilho foleiro) uma magia fabulosa e anestesiante.


 


 

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