quarta-feira, 19 de março de 2008

O Valente Cabo Santos





Os soldados marchavam no seu passo de ganso sem nunca acabar. À frente o General, mão colada na testa. Óculos escuros.


Foi então que reparei no botão que certo soldado, alto e de queixo aprumado, deixou cair na ampla avenida.


O General tremeu. Os olhares sagazes dos convidados seguiram o rebolar do botão pelo asfalto duro e liso.


O cabo Santos gritou:chão! O General não sorriu. Os convidados precipitaram-se, acotovelando-se, para debaixo do palanque central tapando as cabeças com capacetes anti-qualquer-coisa, enquanto os soldados se espalhavam na cidade, de barriga colada ao chão. O destemido cabo Santos rastejou corajosamente em L, aproximando-se perigosamente do malfa(r)dado botão. Com sibilina destreza soprou-o para a sarjeta.


Ufffffff...fff, soltou, levantando-se e mandando formar a 26.


O General sempre de mão colada à testa. Óculos escuros.


Aproveitei o sinal verde e atravessei a avenida. Missão cumprida.


 

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