quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

A César o que é de César

Eu, que votei "sim" no último referendo, que vou votar "sim" neste e que irei votar "sim" em qualquer outro futuro hipotético referendo sobre o assunto, venho à praça para defender o Sr. João César das Neves. O homem não está senão a ser coerente: se o embrião é uma vida humana ( um homem), e portanto inviolável, tanto se dá que tenha resultado de uma violação, tenha uma deficiência grave ou ponha em risco a vida da mãe. Ou seja rejeita a lei actual. Penso que é a melhor forma de defender a "vida humana" para quem defende o "não" neste referendo. Os outros, que defendem a lei vigente e, simultaneamente , o "não", estão a ser hipócritas. Senão vejamos: depois do nascimento todos concordamos que estamos perante uma vida humana. Alguém aceitaria que uma criança pudesse ser morta se a mãe descobrisse que o filho tinha sido fruto de (hipótese remota e apenas académica que poderia ter resultado de uma situação de hipnose, embriaguez extrema ou experiência alucinogénica ) uma violação? Alguém aceitaria que se eliminasse um bebé depois de se ter verificado que tinha nascido com uma deficiência grave? Permito-me responder por todos: não! Como vêem o Sr. Neves é que  é coerente.


Quanto à penalização severa das mulheres que abortam fora da lei, defendida pelo mesmo individuo, também penso que o Sr. está a ser coerente. Ouvi, estupefacto, o Prof. Marcelo e a beata Matilde Franco ( deixem a mulher falar que o "sim" vai disparar nas intenções de voto) defenderem que não querem a punição das mulheres que interrompem a gravidez em qualquer momento dessa gravidez. Uma semana ou  oito meses, nenhuma punição. Um "homicídio" (é o que tem se se chamar àquilo que dizem ser um abate de "uma vida humana" com todos os direitos de um ser humano) sem pena. Fantástico! Ultrapassaram-me e não vos vi passar. Eu próprio, acérrimo defensor do "sim" neste referendo ( sim à despenalização, não ao aborto) considero que se uma mulher interromper uma  gravidez normal, de um feto saudável e sem perigo de vida para ninguém, aos oito meses e meio, um homicídio que tem de ser sujeito a pena em conformidade.


O Sr. César das Neves está na Idade Média ( aliás em companhia de Bins Ladens e outras recomendáveis figuras) e não tem medo de o proclamar aos ventos, porque terão os seus companheiros de campanha medo se  se assumir como medievais monges guerreiros?

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