sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Sobre a morte

Morreu o meu primo Arménio. Era um homem alto, bonito, inteligente, simpático. Era tudo o que toda a gente gostaria de ter sido. Ainda por cima com uma vida desafogada (por herança) e  um bom emprego. Já desconfiava que a terrível doença, que tinha afectado o pai nos últimos anos da vida e que passava, hereditariamente, para os filhos varões, tinha grandes probabilidades de o afectar. E assim aconteceu, ainda mais terrível do que ao seu pai. Chegou mais cedo e com sintomas mais devastadores: aos 40 anos começou a sentir desequilíbrios, pouco depois deixou de conduzir, depois deixou de poder  exercer a profissão que era  sua, deixou de andar e passou a estar sentado, depois a estar deitado, pois os tremores e convulsões não lhe permitiam segurar a cabeça, a fala tornou-se imperceptível, etc, etc,(para vos poupar e para me poupar).


Faleceu depois de 20 anos de doença, de um sofrimento atroz para si, para familiares e amigos, um destroço humano que a quem o visitava deixava sem palavras durante horas a seguir a estas dolorosas visitas.


Infelizmente, para ele, para todos os que o rodeavam, lúcido até ao fim, até aos 60 anos.


E ainda dizem que Deus existe...

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tudo também pode ser nada

  (sem rede) Se tudo não passasse de um desaparecimento atrás de uma esquina chanfrada, daquelas que não custa nada, mesmo nada, dobrar, u...