quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Melodias Abruptas do Fado

 


 


 


 


                           Os dedos rebolam


Entre os cabelos vaginais


Totalmente possuídos por espíritos,


Rebolam ao encontro da saudade


Dos úteros de movimento perdido.


 


Não há mais nada na anarquia,


O poder chupa-nos


Praticamos a magia e sonhamos


Que somos homens bons.


 


Calai-vos desejos que nos culpam


Se nem o frio é oferecido,


Se os anos correm aos gritos dos povos


E maldizem a cobardia dos poemas.


 


Os dedos rebolam sem nexo


Acorrentados ao poder de além país,


À procura do sexo


Correndo à volta dos ventos


E sabendo que um trovão não esperará por eles.


 


Cedo o rebanho progrediu


Nas melodias abruptas do fado.

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