quarta-feira, 10 de maio de 2006

Um Piolho Sem Cabeça

Tinha dois piolhos amestrados na casa de banho. Um dia, o mais velho adoeceu e parecia disposto a deixar de viver. O outro não dava mostras de se importar com isso. Misantropo?


Cada um é como cada qual e cada qual é como cada um. Disse, sabiamente, o filósofo.


Os tempos estavam particularmente difíceis, mas dispus-me a trazer o veterinário a casa.


Assim o fiz. O homenzinho levou-me, naquele tempo, 400 xets e disse-me que piolho sem cabeça não era cabeça.


Cabeça?!?!?! Mas ele tem cabeça!


É que há uns que se aguentam e outros não.


Reflexos da infância, pensei.


E que a cura nunca estava na relação bizarra doente/médico, mas na interactividade doente/ambiente que o rodeia. E que a morte era a rejeição total de um corpo social ou fisicamente adverso.


Agradeci, empurrando o cavalheiro porta fora, e adoeci profundamente.

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